Há, em nossa cidade, duas correntes pró e contra os fogos de artifício por razões diversas.

O professor Rivadávia Severo, no seu artigo da Gazeta, edição de trinta de março último, nos elucida sobre estes, desde o seu início, ainda na pré-história e acaba pedindo tolerância, principalmente para os rojões nas festivas comemorações.

Ouvi também vários conterrâneos que não admitem a falta de foguetes na entrada dos cortejos da Festa do Divino, na alvorada da Semana Farroupilha, na vitória do Brasil nas Copas do Mundo e nos diversos campeonatos nacionais e regionais. Também dos fogos de artifício que clareiam os céus nos “réveillons” do mundo inteiro. Do colorido sobre o mar de Copacabana, das multidões aplaudindo na esperança sem fim de dias melhores.

Lembraram de Américo Fogueteiro, dos antigos leilões e quermesses de festas religiosas.

Nem os busca-pés e bombinhas das noites de São João foram esquecidos. Reuniões alegres em torno às fogueiras, que hoje estão perdendo lugar no nosso calendário.

A outra corrente que está ganhando força é a ausência de todo este arsenal festivo e estrondoso em razão do bem-estar dos animais domésticos.

O seu efeito é um martírio para eles. Como possuem um ouvido muito sensível e apurado, os sons altos, como trovões e fogos em geral, são comparáveis a um verdadeiro bombardeio.

Aceleram seu coração e os fazem procurar esconderijos para não verem os clarões e tentar amenizar os ruídos.
Por isso o final de ano é época temida pelos donos e pelos cães, principalmente.

Os fogos são um impacto negativo em suas vidas.
Tive ocasião de ver uma cena comovente há alguns anos atrás. 
Iríamos a uma festa muito badalada de “Reveillon” com meu irmão Geraldo e sua esposa, lá em Arambaré. Nós, mais para acompanhá-los, pois não conhecíamos os anfitriões.

Na hora em que saíamos, o seu cão fiel, o Lero, começou a gemer angustiado por causa dos fogos que clareavam o céu.

Então, o mano pediu que fôssemos  na frente, que ele procuraria tranquilizá-lo.

Bem acomodados ao redor da piscina, mas constrangidos, ficamos sempre a esperá-lo. Como não aparecesse, saímos cedo, discretamente. E ele se desculpou conosco assim: “Eu não poderia deixar o meu amigo sofrendo numa noite tão especial.”. 

Particularmente, acho justos os argumentos das duas correntes que discutem o tema, tão atual.

Mas confesso que uma cidade provinciana sem banda de música e sem foguetes perde muito de seu encanto.
Maria Augusta S. Alves