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Crônica do Dia a Dia – Meu vestido predileto – Maria Augusta S. Alves

Lembro tanto do meu vestido predileto!

Sua cor azul foi escolhida por aquela adolescente sonhadora, que se influenciara pelo livro da Coleção das Moças “Meu Vestido Cor do Céu”.

Minha mãe trouxe o corte de organza de Rivera. Era lindo e serviria para o meu primeiro baile.

Não pediram minha opinião sobre o feitio.

Felizmente eu era alta, magra e, dada a minha juventude, não haveria maiores problemas.

A costureira, muito hábil, sabia dar um toque charmoso às confecções. Tive longas e exaustivas sessões sobre uma mesa, para que ela acertasse a saia godê. O corpo era comprido, ajustado na cintura, fechado atrás com minúsculos botões, as mangas franzidas, decote redondo. Um ramo de flores do mesmo tecido ornamentava a blusa, no lado esquerdo. Ficou simples, mas muito bonito.

Um colar de pérolas Marvella, presente de aniversário de meus pais, comprado na Masson, foi o arremate e a única joia daquela Cinderela que saiu apressada e ansiosa apara a sua primeira grande festa.

Nunca estive tão perto de ser bonita como naquela longínqua noite. O vestido azul rodopiou, rodopiou…

Quando pendurei aquela delicada peça no cabide, ao chegar em casa, senti que nenhum outro ocuparia jamais o seu lugar no meu coração.

Hoje não seria assim. As jovens sabem bem o que querem. Usam “tomara que caia”, decotes audaciosos e procuram os profissionais mais badalados.

Brigam com os pais por suas preferências.


Cansam todo o mundo ao redor.


Gastam em salões com suas escovas, luzes, maquiagem e, muitas vezes, não se contentam.

Sinal dos tempos, com uma visão maior de moda e de elegância. Seguem desfiles internacionais com modelos famosos.

Como não tínhamos tudo isso, apenas alguns figurinos, nos contentávamos com pouco.

Mas o resultado era uma ingênua felicidade que, mesmo passado mais de meio século, vive ainda nos alegrando o coração.

Maria Augusta S. Alves

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