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Crônica do Dia a Dia – Minhas duas mães – Maria Augusta Alves

Crônica do Dia a Dia – Minhas duas mães – Maria Augusta Alves

Coração de mãe não tem tamanho, abriga sempre um amor sem medidas.
Eu, que tive a ventura de ter duas mães, posso comprovar isso.

Minha mãe biológica era de pequena estatura, mãos macias, prontas para acariciar. No entanto, possuía uma firmeza de alma, de caráter, que nada abalaria suas convicções religiosas e morais. Não tinha vaidade, não se preocupava com as coisas materiais.

A Dinda, que me adotou, era sua irmã, seis anos mais velha. Ambas tiveram uma infância triste, órfãs de mãe desde a mais tenra idade.

Era alta, bonita e casara muito cedo, aos dezessete anos, mudando-se para Cachoeira.
Ela gostava de receber, de ir a festas, teatros e cinemas. Era uma excelente dona de casa, exigente e caprichosa.

De suas mãos saía o melhor pão que já provei, e seus doces sempre foram muito elogiados.
Mamãe teve cinco filhos, sem contar com a primeira menina, que morreu ao nascer, por falta de uma assistência segura, o que era comum na época.

Nasci, então, de segundo parto, que teve um médico bem velho e aposentado para me “aparar”.
Dinda, que tivera um aborto mal tratado, ficara impedida de ser mãe. Grande desgosto para ela e meu Dindo, que sonharam com uma mesa repleta de crianças.

Quando um ano e dez meses depois nasceu minha irmã Doroty, veio a minha madrinha, a Dinda, cuidar da parturiente. Ficou encantada em mim, que estava naquela idade em que tudo é graça.

Despertei nela o desejo contido de ter também um filho nos braços. Dormia comigo, me alimentava e me dava tanto mimo que foi recíproco o amor entre nós.

Mais um ano e tanto, nasce a terceira menina, a Zoé. Então, Dinda cuidando de novo de Mamãe, que ficara enfraquecida, fez o pedido de me levar por uns dias com ela, até sua completa recuperação.

Começou aí um “vai e vem” de Caçapava a Cachoeira. Mamãe chorava, meu pai ia ao Centro Telefônico e pedia que me trouxessem de volta. E foi assim até que fiquei em definitivo com meus segundos pais.

Quando vinha de visita a Caçapava, era um alvoroço. Na volta, choro e revolta de meus maninhos. Eu também saía tão dividida! Mas, dentro em pouco, com meu temperamento alegre, retomava minha vidinha, meus brinquedos, escola e novos amiguinhos.

Hoje, sem a presença de minhas mães tão queridas, eu não saberia dizer qual delas foi a mais amada e a que mais me amou. Ambas se doaram por inteiro. Foram incansáveis na minha formação, nos cuidados com minha saúde e bem-estar.

Quando eu vinha ao lar paterno, que era também a morada da paz, Mamãe passava a ferro minha roupa de cama para que eu não estranhasse o frio. Alertava-me para que não conversasse tanto à mesa e que comesse de uma vez, se não os pratos seriam esvaziados. Pois era um avanço dos manos com bom apetite e sofreguidão.

Dinda pulava cedo da cama, passava um café fresquinho e fazia torradinhas, antes de eu sair para as aulas.

Como não tinha apetite – filha única – ela inventava coisas gostosas, colocava escondido o suco de tomate sob o feijão, e era o Dindo quem descascava laranjas e outras frutas para mim.

Como boas irmãs, minhas Mães dividiram seu amor com muita sabedoria e me abençoaram sempre.

Deram-me colo, curaram minhas cicatrizes da infância, enxugaram minhas lágrimas nas desilusões da adolescência.

E despediram-se – dando-me forças – da neta que foi embora tão de repente.

Sonho com elas como se vivas estivessem a meu lado. E penso vê-las em duas estrelas que piscam para mim nas noites de céu claro.

Por Maria Augusta S. Alves

Caros Leitores!
Esperamos, eu e Zoé, sua presença na Feira do Livro com o nosso “Um Olhar para a Vida”, com um bom desconto.

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