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Crônica do Dia a Dia – Noivas de ontem e de hoje – Maria Augusta Silveira Alves

Crônica do Dia a Dia – Noivas de ontem e de hoje – Maria Augusta Silveira Alves

Foi num aniversário que a conversa surgiu e me inspirou este texto. Era uma roda de senhoras jovens, eu a única idosa.

Começaram a falar nos baús que as noivas enchiam, preparando seu enxoval.

Lembraram delicados bordados em lençóis, em toalhas de mesa e monogramas nas de banho.

Uma delas falou que isso não existe mais nestas últimas décadas. E disse que uma sogra perguntou à noiva de seu filho como iam os preparativos para o futuro enlace. O que ela providenciara para seu apartamento. Vocês têm xícaras, pratos, talheres, estas coisas indispensáveis? A moça não soube responder.

-Decerto vão colocar a lista de presentes de casamentos nas lojas.

Ela disse, então: gostaríamos de receber só quantias em dinheiro para a nossa lua de mel.

É o usual nos dias que correm. Acabaram os baús, os cursos de bordados, de culinária, a encomenda de crochês, o desenho e os projetos dos móveis. Há tudo em lojas especializadas. Verdadeiras tentações nas vitrines e nos sites.
No meu tempo (não podia faltar esta expressão) havia em Santa Maria uma família famosa que se dedicava só às noivas. E em Cachoeira, as irmãs da família Carlos especializaram-se em roupas íntimas guarnecidas de renda francesa e com minúsculos bordados coloridos. Cada terno constava de camisola, calcinha e manhãnita. A da noite de núpcias era sempre em branco, longa e recatada.

As cerimônias de casamento eram simples. Tratava-se a data, horário com o padre e o juiz de paz. Alguns jarrões de flores nas igrejas e uma cantora para a Ave-Maria ou o violino envolvendo o ambiente de romantismo.

Após, um almoço ou jantar nas próprias casas dos nubentes, reunindo a família e amigos íntimos. Os numerosos padrinhos de hoje eram resumidos nos chamados testemunhas, os meus foram os Dindos e os Pais e dois casais de amigos, que me conheceram desde a meninice.

Houve um impasse. Com qual dos meus pais eu entraria na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. Deixei que eles mesmo resolvessem. Meu pai Avelino fez questão de ceder esta honra ao pai de criação Vicente.

Os presentes eram expostos no quarto da noiva para que fossem apreciados por todos, assim como os cartões e os telegramas.No meu caso, entre jogos de porcelanas e cristais que conservo até hoje, havia dez vasos e muitas jarras de vidro.

Hoje, no geral, a casa ou apartamento dos noivos já estão prontos, completos com tudo que é necessário dentro.
Contraste com os pares de antigamente que começavam adquirindo, aos poucos, seus móveis e utensílios.

Há um ar mais contemporâneo em tudo. A vida está em constante mudança, mas ainda acho que o que não pode faltar é o AMOR.

Maria Augusta Silveira Alves
Escritora

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