Só a Educação pode salvar o Brasil. Concordamos, ouve-se muito esta frase até como “slogan” de campanhas.
Mas a realidade é que estamos longe de conseguir este objetivo.

A educação deveria começar nos lares, com os ensinamentos básicos de formação de caráter, de ética e de socialização.

Lares que estão cheios de problemas, como o desemprego dos pais, a necessidade de a mãe trabalhar em dois turnos, ou a separação do casal, tão comum em nossos dias, não conseguem cumprir sua missão.

Tudo, então é transferido para a Escola. É um peso e um compromisso muito grandes nos ombros dos educadores.
Esta situação exige muita preparação para a carreira do Magistério, que deve ser encarada com vocação e não apenas como a fonte de renda mais fácil de atingir.

Felizmente a maioria dos professores tem curso superior e várias especializações, que os tornam aptos para um bom e construtivo trabalho.

Difícil, entretanto, é o aluno conseguir vaga para matricular-se em escolas próximas do seu bairro ou da periferia em que residem.

Vi e avaliei o sacrifício de uma jovem mãe de dois meninos pequenos para poder colocá-los, primeiro numa creche e, posteriormente, um deles no 1º ano do Ensino Fundamental.

Ela precisou tirar férias do emprego para bater de porta em porta dos estabelecimentos de ensino.
Teve muita sorte com a creche, bem orientada e organizada, onde os meninos tiveram um grande desenvolvimento. Mas, desembolsando boa parte de seu salário, pois era particular.

O pior foi achar depois uma escola nas proximidades, quando o maior deles atingiu a idade própria. Como poderia buscar e levar cada um deles em zonas diferentes e ainda chegar a tempo no emprego?

Triste realidade de nossos dias: a falta de vagas, o fechamento de escolas, a evasão dos professores.

No interior do município, alunos precisam caminhar quilômetros até o ponto do ônibus e daí seguir para buscar sua instrução.

Um deles contou ter que levantar às quatro horas para alcançar o ônibus a tempo, mas depois fica na escola esperando até as oito horas o início da aula.

Nesta circunstância estará com sono, cansado e com fome.

Sei, por experiência própria, que aluno com estômago vazio tem dificuldade no aprendizado.

Nos velhos tempos do “Dinarte Ribeiro”, tia Maroca não deixava ninguém em jejum. Fazia paneladas de arroz de leite, arroz com pêssego (urigone) e quase sempre uma sopa quentinha.

As salas de aula eram lotadas com trinta ou mais crianças, de diferentes maturidades, mas ninguém era rejeitado na hora da matrícula.

Eu sei. As coisas mudaram, a população aumentou, os problemas dos Governos são quase sem solução, a classe do Magistério foi desvalorizada, seu minguado salário parcelado.

Mas não é este o Brasil que queremos.

E sim um país que coloque a educação como prioridade para que amanhã o futuro nos dê a recompensa que esperamos.

 

Maria Augusta S. Alves