Agora, no forte do calor, é comum o esforço de motoristas para estacionar seus carros em alguma sombra.

Muito difícil! Na saída de um restaurante, supermercado ou outros estabelecimentos, que tortura sentar no carro super aquecido: dá-nos um grande desconforto e mal-estar.

Numa caminhada, o problema é o mesmo. Calçadas ensolaradas, sem apelação.

Em poucas quadras de nossa cidade isso é atenuado pelas benditas árvores. E sabemos que isso está ligado diretamente à
qualidade de vida.


A realidade é que Caçapava não possui árvores que supram as necessidades de seu povo. Exceção é a Avenida Pinheiro Machado, com longas filas de jacarandás e de outras espécies.


Num programa matinal de TV, engenheiros e técnicos agrícolas afirmaram que é preciso no mínimo doze metros quadrados de árvores por habitante. O ideal seriam oitenta e seis, ou três árvores por habitante. Existe essa percentagem somente em Estocolmo, capital da Suécia.


Mas muitas cidades brasileiras, inclusive gaúchas, nos dão magníficos exemplos. Citamos duas que não ficam longe: Cachoeira e Santa Cruz. Nelas, velhas árvores se entrelaçam, formando arcos nas ruas principais.


Há uns dez anos, estive em São Francisco de Assis, e a praça no centro da cidade me impressionou. Era uma micro-floresta, com centenas de pássaros, como caturritas em grande algazarra nas suas copas frondosas.


O mesmo espetáculo me encantou na Praça do Japão, em Porto Alegre.


Naquelas sombras, o barulho das aves era ensurdecedor.


Ainda na capital há o espetáculo dos gigantescos plátanos que disputam sua beleza no verão e no inverno. Quando verdes ou dourados, com suas folhas atapetando o chão.


Ali também se encontra a Rua Gonçalo de Carvalho, que já foi considerada a mais linda do mundo. Não por seus edifícios e suas casas, mas pelo túnel verde que formam e que vistos do alto é algo maravilhoso.


Não podemos pensar que, se hoje plantarmos uma árvore, ela levará anos para se desenvolver e que talvez nem tenhamos oportunidade de vê-la em tamanho adulto. E sim que é um patrimônio para a humanidade, um pulmão para nossos semelhantes.


Bens que deixamos como casas, carros, dinheiro, não atestarão nossa presença nesta terra. No entanto, uma árvore de herança confirmará que vivemos em sintonia com a natureza, que nos foi dada por Deus.

 

Maria Augusta S. Alves