O caso da professora de Língua Portuguesa de Indaial, S. C., dá-nos a real dimensão da situação alarmante em que se encontram essas profissionais em nossas escolas.

Uma pesquisa revela que 12,5 °/° dos professores ouvidos no Brasil se disseram vítimas de agressões verbais, físicas e de intimidação de parte dos alunos.

Nesta triste rotina, os docentes ficam de mãos atadas e confusos quanto à atitude que devem tomar. Muitos abandonam a profissão, outros resolvem lutar para que melhore este contato entre as partes.
Erguem-se muros de proteção nos colégios contra os perigos lá fora, o que não impede que dentro haja conflitos entre mestres, alunos e os próprios pais.

Está difícil uma relação harmoniosa entre as pessoas por diversos fatores, como dissolução das famílias, violência doméstica, preconceitos e drogas.

Fui professora por muitos anos e guardo uma lembrança boa de respeito e carinho por parte de centenas de ex-alunos.

Não lecionei só anjos. Eram crianças normais, com seus defeitos, temperamentos diferentes, alguns omissos nas lições de casa, no aprendizado, cadernos relaxados, enfim, tudo o que se observa numa turma.

Mas jamais tive algum que ultrapassasse a minha autoridade ou me desafiasse.

Iniciei minha carreira como professora substituta – hoje seria estagiária – na conceituada Escola “João Neves da Fontoura”, em Cachoeira do Sul, onde residia.

Deram-me um 1º ano, a turma dos alunos mais novinhos e ali, corajosamente, coordenada por uma experiente colega, inovei com um método de fraseação. Foi um sucesso! Uma interação perfeita com os pequeninos e seus pais. Nunca os esqueci.

Um deles, anos depois, quando já Coronel do Exército, veio a Caçapava e me homenageou numa reunião rotária, com flores e belíssimas palavras.

Nomeada para bem longe, no município de Ijuí, hoje cidade progressista de Ajuricaba, alfabetizei coloninhos italianos, poloneses e alemães. Tinha que primeiro ensinar-lhes nosso idioma, pois usavam dialetos incompreensíveis. Lá permaneci por dois anos e chorei ao deixá-los e às amigas que havia conquistado naquele “Pé de Serra”, como chamávamos a colônia.

Anos depois, assisti em Santa Maria, à formatura de um deles, em Medicina.

Transferida para mais perto, na Estação Ferreira, conheci alunos muito pobres, mas generosos. Amavam a escola e queriam mostrar gratidão a seus professores trazendo-lhes ovos caseiros, litros de leite, latinhas com folhagens e muitas flores campestres.

Levavam seus pais para as comemorações e para conhecerem suas professoras.

Ainda trabalhei na periferia da cidade de Cachoeira. Recebi um 5º ano de alunos adolescentes estudiosos e com firme vontade de vencer na vida.

Lembro que os preparei para a 1ª Comunhão, que se realizou na Igreja Santo. Antônio.

Em 1955, recém-casada, vim para nossa terrinha e fiquei ate a aposentadoria no “Dinarte Ribeiro”, com séries iniciais, principalmente alfabetizando. Muitas normalistas assistiam a minhas aulas.

Era encarregada, também, da “Hora do Conto” na Biblioteca, dirigida então por D. Luizinha Monte.
Amiga de todos os alunos, encontro-os hoje pelas nossas ruas e supermercados e sou saudada com alegria:

– Oi, professora!

Alguns alunos já partiram, causando-me muita tristeza.

Tratada sempre com respeito, como uma rainha, me comover ver a figura dilacerada daquela mestra, pelas mãos de quem ela procurava levar conhecimento e educação.
Maria Augusta S. Alves