Nesta Semana de Caçapava, muito de sua história pode ser lembrada nas celebrações, exposições, eventos artísticos e culturais. E nomes de pessoas que nos deixaram um exemplo a seguir ou uma missão para ser concluída.

Não foi propriamente um caçapavano, mas alguém da família do Pe.Otávio Cecchin, nosso inesquecível Pároco, o seu irmão Ir. Antônio, falecido recentemente, quem nos deixou uma missão que não conseguira concluir.

Irmão Antônio Cecchin, cujas iniciativas em favor dos pobres e desvalidos – como a organização em cooperativas dos papeleiros de Porto Alegre, resgatando a dignidade dessas famílias e garantindo-lhes um meio honesto de subsistência – tinha um sonho: conseguir a canonização de Sepé Tiaraju como o “Servo de Deus” e o protetor dos humildes. E conseguiu, com a participação de reconhecidos historiadores, religiosos devotados à pesquisa histórica e conhecedores da civilização guarani e das Missões Jesuíticas, reunir os dados necessários da vida e influência do heróico índio, devidamente comprovados, para encaminhá-los à aprovação da Igreja.

Dom Gílio, Bispo de Bagé, foi o portador das razões e assinaturas de autoridades políticas, religiosas e de intelectuais de diversas áreas, e de Roma trouxe o “Nihil Obstat” do Vaticano, que representa a licença para que o processo de canonização siga avante. Foi o primeiro passo, mas um bom começo.

D. Antônio Cecchin, Irmão Marista, de vasta cultura, professor e um dos pilares da Unisinos, entre tantos outros méritos e atos, era um estudioso de nossa História e da vida de nossos indígenas.

Sepé Tiaraju, o mártir missioneiro, tocou profundamente a sensibilidade do Irmão Antônio, que sentiu a dor que ele deve ter sofrido ao ver arrasadas suas comunidades construídas sob os ensinamentos da Igreja e das leis de respeito, dignidade, igualdade e fraternidade. Com escolas, igrejas, casas e ruas devidamente projetadas, naqueles tempos rudes de nossa colonização.

Os Tratados de Portugal e Espanha não viam nada disso. Só queriam desalojá-los, acabar com suas cidades e conseguir a licença de considerar os índios, não como humanos, mas como animais, para poder escravizá-los.
Sepé Tiaraju lutou até a morte contra as invasões da terra que era sua. E consagrou sua vida ao bem e salvação de seu povo.

Na visão do Ir. Antônio, que melhor santo padroeiro para representar, proteger, dignificar e dar voz aos mais humildes do que Sepé Tiaraju?


Anna Zoé Cavalheiro