Ao passar pelas ruas venho observando as árvores do Divino. Elas estão cheinhas de flores vermelhas que sempre aparecem nesta mesma época, quando comemoramos a Festa do Divino. Daí certamente seu nome.

Faz um ano plantei uma muda, presente de uma grande amiga. Ela foi crescendo, crescendo, preenchendo o pequeno espaço que lhe cabia no pátio.

Alguém sugeriu arrancá-la, mas não deixei. Agora ela sobressai diante das flores rasteiras vizinhas.

Mas ao contrário das suas irmãs, nos outros pátios, ela continuava só com a ramagem verde. Até agora, pois fui notando de uns dias para cá que se coloria de vermelho, a cor do sangue, da vida, do pulsar de um coração.

Na minha santa ignorância eu não sabia que a folha era a própria flor que se tingia.

Fiquei admirando sua pontualidade. Todos os anos elas aparecem, justo quando celebramos a Festa do Divino. Ao contrário de muitas outras flores que, com a inconstância de nosso clima que retarda a chegada das estações, surgem apressadinhas e precoces em meio às ramagens ainda verdes. Como as azáleas que vejo aqui e ali entre a ramagem.

O relógio da vida não falha. Nós é que nem sempre o obedecemos, tentando superar nossas limitações.

– Quando vai nascer? quando vai falar? Caminhar? estudar, formar-se, casar?….São perguntas que afligem as futuras mãezinhas e as outras com filhos em diversas etapas da vida.

A natureza é sábia e cada um é ele mesmo, com seu ritmo e potencialidades.

Que bom seria se todos se aceitassem assim como são, nenhum preconceito, inveja, rancores. Agir como as flores que perfumam o ambiente e nos trazem pensamentos felizes, por serem feitas para encantar.

Há pessoas que ao passarem por nos transmitem uma aura de paz e carinho. Que aceitam sermos todos caminhantes pela mesma estrada. E podem necessitar de nós e nós dos outros…

Felizmente elas surgem a qualquer tempo, em todas as estações.


Anna Zoé Cavalheiro