Vou para o século passado, relembrar histórias que ouvi contar e que, em algumas delas, conheci os protagonistas.
Um casal muito conceituado da sociedade caçapavana teve um único filho.

Bonitão, conquistador, rico, caiu um dia nas malhas do Cupido e apaixonou-se por uma loirinha bonita que atendia numa padaria. O namoro foi contrariado por seus pais, que apostavam em alguma herdeira, das mesmas condições sociais. Ele cedeu à vontade deles e abandonou o seu grande e inesquecível amor.

Passados muitos anos soube que a namorada de sua juventude tivera um filho seu e que o criara com sacrifício, mas soubera educar e cuidara de sua formação.

Não é novela da Globo, mas foi só tardiamente que ele teve conhecimento deste fato. Resolveu, então, conhecer o fruto de seu amor, que nesta longínqua época era alto funcionário de um banco em Porto Alegre.

O rapaz tratou-o com extrema frieza e declarou que não precisava mais de pai e que tivera necessidade dele na sua difícil infância e juventude.

Não me contaram nada sobre o destino de sua mãe, se ainda vivia, se refizera sua vida…

Esta é a primeira parte da história.

Porque o nosso protagonista finalmente casou, com a aprovação de seus pais. A escolhida fora uma forasteira, que aportara em Caçapava, filha de um chefe político e delegado para aqui transferido.

Eu a conheci, já uma velha senhora, dona de uma casa de cômodos na nossa capital.

Pelo jeito nunca fora bonita, mas bem simpática e espirituosa.

De sua boca ouvi relatos do casamento que acabara há anos. Não lembro os detalhes, mas o esposo aprontara alguma. Ela, que possuía um gênio explosivo, batera nele com um chinelo.

Parece que foi no seu rosto.

Mas teve os braços seguros fortemente por aquele homem, que declarara:

-Eu não bato em mulher, mas nunca mais vou te olhar.

E saíra definitivamente de casa e de sua vida.

Algumas vezes cruzaram-se nas ruas, mas ele baixava a cabeça e assim cumpriu a promessa.
Ela não falava em arrependimento, mas dava para ver que ela ainda o guardava no coração.

Maria Augusta Alves