O dicionário diz que namorar é inspirar amor, cortejar, cativar, olhar com insistência.

Era bem assim que entendíamos esta palavra tão usada através das sucessivas gerações.

Nos meados do século passado (dito assim parece coisa medieval), o namoro era o flerte (flirt em inglês), olhos que se encontravam, coração mais acelerado, aquelas tradicionais “avenidas” nas nossas ruas.

Às vezes, o moço passava a pé, outras de bicicleta. Carros, muito poucos possuíam na juventude. Depois, havia as reuniões dançantes nos clubes, em horas vespertinas. As moças de um lado aguardando a coragem deles em tirá-las para dançar. Joelhos tremendo ao sentir-se enlaçada e de mão com o seu amor. Tudo sob o olhar de pais ou tias bondosas.

Uma das mães minha conhecida dizia para a filha: “Tu passa pela minha mesa, nada de meio do salão.”
As quermesses favoreciam novos encontros. Havia “telegramas afetuosos” pelos alto-falantes. Envio de flores, alguma rosa roubada ou cravo perfumado. A gente deixava-os secar e depois os colocava entre as páginas de um livro. Poesias, músicas que pertenciam aos dois, cantadas pelos famosos da época: Francisco Alves, Orlando Silva, Dalva de Oliveira… Romantismo puro.

Eles só viam suas amadas arrumadinhas, perfumadas, com a suave maquilagem da moda de então.
Depois o namoro ficava forte (era este o termo), e o moço frequentava a casa de sua eleita. Só podia ficar na sala, e sempre havia alguém passando ou fazendo um crochezinho numa das poltronas.

O noivado dava liberdade para sair de braço dado, coisa emocionante, com a aliança gravada com o nome de cada um.

Aí, geralmente, acontecia o primeiro beijo. Selinho tímido, que ia se prolongando com o correr do tempo, sem nunca, entretanto, chegar aos avançados e eróticos das novelas.

Após o casamento, a lua de mel propriamente dita, tinha que ser iniciada com a maior delicadeza e carinho.
Não era fácil para nenhum dos dois. Ele, pelo respeito, e ela pela total ignorância de sexo. Aos poucos se entregavam, felizes, um nos braços do outro e, na maior parte das vezes, cumpriam as promessas de “só a morte há de nos separar.”

Hoje o significado da palavra namorar é outro. Não nos cabe analisar nem julgar.

Há o “ficar” sem compromisso. E o “namorar” que é participado no facebook como “relacionamento sério”.

Daí a apresentação às famílias, as fugidas nos fins de semana para pousadas e vai até o morar junto. Coisa comum e aceita por todos.

É, o mundo deu muitas voltas.

Ah, os namoros!

Maria Augusta e Anna Zoé