A Gastronomia é um dos assuntos do momento. Tendência atual na televisão, com programas recheados de”super chefs”, receitas e concursos. Também nos cadernos dos jornais, assim como na Internet.

Eles tornam a cozinha um lugar agradável de convivência familiar, no modernismo de sua arquitetura e dos utensílios atraentes e coloridos.

Os homens, que só ousavam num bom churrasco, tornaram-se protagonistas na cozinha, com especialização em países europeus e asiáticos.

Até as crianças estão curiosas e envolvidas na culinária, com seriedade e gosto pela aprendizagem.

Tenho assistido a um programa matinal de TV em que elas disputam um título com prêmios e aplausos.

Vi-as aprendendo a fazer panquecas coloridas com cenoura, espinafre e beterraba.

As mais audaciosas imitavam seus instrutores jogando-as para o alto, no momento de virá-las. Algumas com sucesso, e outras perdendo a massa na pia.

Noutra época, ao casarmos, mal sabíamos fazer arroz.

Um dos motivos era que nossos pais tinham domésticas que moravam na casa e se perpetuavam por anos a fio.

A cozinha, com fogão a lenha, ficava lá no fundo e era pouco frequentada pelos jovens. Nossa tarefa era estudar e manter o próprio quarto em ordem.

Lembro da desastrada sopa que preparei ao meu marido. Ele, contente com meu empenho, ainda a elogiou (com restrições).
– Está boa, Mariquinha, só faltou o caldo.

Procurando acabar com a ignorância culinária, apelamos para os antigos programas das TVs preto e branco para assistir a uma das pioneiras do assunto, dona Mimi Moro. Ela repetia:

– Quando eu digo colherinha, é colherinha.

Fizemos cursinhos para Mamães que adquiriam o liquidificador Arno, outros pela Walita. Fomo-nos aperfeiçoando nos básicos da culinária e como dar um toque especial aos pratos do dia-a-dia.

Algumas senhoras de nosso convívio eram mais sabidas e davam dicas, que eram decoradas e passadas, com ênfase, depois, para as funcionárias:

– Para arear panela, é Bombril seco!

Minhas tias paternas revezavam-se em semanas, na cozinha. Passavam a manhã mexendo as panelas e atiçando o fogo, num cansaço sem fim.

Lá em Cachoeira, tínhamos a ligeirinha Dadá, que orientava as domésticas da casa e, não se conformando com seu desempenho, colocava a mão na massa. Era uma artista!

De qualquer meio quilo de carne fazia prodígios, massinhas recheadas, rocamboles de batatas, tortas de frango de sair água na boca. Até suas torradas de pão d’água eram diferentes e são lembradas com saudade até hoje.

No entanto, olhando para trás e recordando os antigos almoços de domingo, com suas sobremesas recheadas de ovos e de folhas de gelatina, eu sinto que não os trocaria pelas minúsculas e exóticas porções que os super-chefs nos oferecem.

Mas… gosto é gosto.

Maria Augusta S. Alves