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Encontro doble chapa será realizado em Caçapava

Encontro doble chapa será realizado em Caçapava

Oscar Padron Favre – Foto Divulgação

Há 180 anos, dois dos mais controversos personagens da História platina se encontraram em Caçapava: Fructuoso Rivera, o primeiro presidente constitucional do Uruguai, e Bento Manoel Ribeiro, o anti-herói da Guerra dos Farrapos.

Para relembrar esse episódio, um novo encontro binacional será realizado em Caçapava, no dia 06 de abril. Do lado Oriental virá o professor, escritor e pesquisador Oscar Padron Favre, que investiga a biografia de Rivera. O representante brasileiro será o jornalista caçapavano Euclides Torres, autor de Bento Manoel Ribeiro: o caudilho maldito. Numa mesa redonda, mediada pelo também jornalista e caçapavano João Alberto D. Santos, eles vão discutir as curiosas relações que cercaram Rivera e Bento Manoel e que até hoje intrigam historiadores.

O evento, chamado de Conversa Doble Chapa, será às 19 horas, no auditório do Instituto Estadual de Educação Dinarte Ribeiro. A entrada é gratuita. O debate faz parte de uma série organizada pelo Projeto Simplicio – Literatura, Memória e Identidade, que promove eventos no Brasil e no Uruguai, reunindo convidados dos dois países para conversar sobre temas da História, cultura e memória regional. O projeto é coordenado por João Alberto D. Santos.

O encontro em Caçapava será o terceiro da série. Os dois primeiros foram em Jaguarão (RS) e em Melo (Uruguai). Aqui, o projeto conta com o apoio institucional da Prefeitura, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, da Gazeta e da Rádio Caçapava, além da editora uruguaia TierrAdentro.

Bento e Rivera
Bento Manoel Ribeiro e Fructuoso Rivera foram os mais hábeis milicianos do pampa, profundos conhecedores do território e da gente do Prata.

Dois vaqueanos, eram habilidosos e ardilosos também nos negócios e na política. Mudavam de lado conforme os ventos mais favoráveis. Em algumas ocasiões misturavam política, negócios, guerra e relações familiares. Foram amigos e inimigos diversas vezes. E acusados de protegerem-se mutuamente.

Semeiam dúvidas e controvérsias até hoje. Só para citar um exemplo, na Batalha de Ituzaingó (ou Batalha do Passo do Rosário, para os brasileiros), decisiva para a independência do Uruguai, nem Rivera nem Bento Manoel apareceram. O exército brasileiro, de um lado, e o uruguaio, do outro, ficaram desfalcados. Sobre o motivo das ausências há várias hipóteses, nenhuma certeza e acaloradas discussões entre historiadores, quase dois séculos depois.

Mais um exemplo das relações entre Bento e Rivera, para aguçar a curiosidade do leitor: para comprar a Estância do Jarau e triplicar sua extensão, chegando a 61 mil hectares, Bento Manoel obteve um empréstimo com Rivera, então presidente do Uruguai em 1839. Bento pagou o financiamento em 10 anos. Rivera ganhou a fama de gastar o dinheiro público como se fosse seu.

Esses dois gaviões do Pampa foram parecidos e viveram “enredados em contradições”, como bem definiu Euclides Torres. Como se vê, o encontro desses dois caudilhos é sem dúvida mote para uma boa charla.


Quem foi Bento Manoel Ribeiro

Bento Manoel Ribeiro é figura tão enigmática que sua história mistura-se à lenda da Salamanca do Jarau. Nascido em Sorocaba, chegou ao Rio Grande do Sul com cinco anos, em 1788. Veio transportado num cesto, atrelado a uma mula, trazido pelo pai, que era tropeiro. Pobre, trabalhou de peão em São Sepé, iniciou a carreira militar como soldado raso, casou com uma rica herdeira caçapavana, foi multiplicando seus bens e quando morreu, em 1855, era marechal do Exército Imperial e um dos homens mais ricos da Província. Ganhou fama de velhaco e de traidor, principalmente por ter trocado de lado quatro vezes durante a Revolução Farroupilha. Mas, com habilidade e astúcia, definia o rumo da guerra conforme a bandeira que erguia.

 

 

Quem foi Fructuoso Rivera

Primeiro presidente do Uruguai, Rivera é um dos heróis da Independência do país vizinho. Sobre quem foi ele, Domingo Faustino Sarmiento respondeu em 1845: “O general Rivera começou seus estudos do terreno no ano de 1804. Iniciou fazendo guerra às autoridades, como contrabandista; depois aos contrabandistas, então como empregado do rei, em seguida, como patriota; aos patriotas, mais tarde, como montonero; aos argentinos, como chefe brasileiro; aos brasileiros, como general argentino; a Lavalleja, como presidente; ao presidente Oribe, como chefe proscrito; a Rosas, aliado de Oribe, como general oriental. Teve tempo de sobra para aprender um pouco da ciência do vaqueano”.

 

Euclides Torres

 

O caçapavano Euclides Torres é jornalista, foi repórter e redator em jornais de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo e também professor nos cursos de jornalismo da UFSM e da UFRGS. Em 1999, fundou a Gazeta de Caçapava, semanário em que assinou uma coluna sobre História do Município. Desde 2000 dedica-se à pesquisa da História de Caçapava e do Rio Grande do Sul. É autor de A Patrulha de Sete João, Farrapos&Sabinos e Bento Manoel Ribeiro: o caudilho maldito.

 

 


Oscar Padron Favre
Pesquisador da História uruguaia e regional, Oscar Padron Favre é professor, Licenciado em História, e especialista em História, Patrimônio Cultural e Museus, com cursos no Uruguai, Espanha e Bolívia. É diretor de Museus da Intendencia de Durazno e foi também Diretor de Cultura. Dirige a editora TierrAdentro, dedicada à temática histórica e cultural. Integra o Instituto Histórico y Geográfico del Uruguay e é membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Tem livros e artigos publicados no Uruguai, Argentina, Brasil, Paraguai, Itália, México e Peru. É autor de Sangre Indígena en el Uruguay; Durazno: bases para una identidad y un destino; Historia de Durazno; Los charrúas-minuanes en su etapa final; e co-autor de 300 Años da Reduçao de Santo Ángelo; Regionalización Cultural del Uruguay; Uruguay. Arquitectura de antaño, entre outros títulos.

 


Doble chapa é como são chamados os cidadãos que têm dupla nacionalidade (uruguaia e brasileira) e que vivem nas cidades fronteiriças, misturando os hábitos dos dois países e os idiomas português e espanhol.

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