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Fazenda Reconquistar ajuda alcoólatra a se livrar do vício

O trabalhador rural William da Costa Ferreira, 33 anos, possui um currículo invejável, com 26 cursos de especialização pelo Sistema de Aprendizagem Rural (Senar), entre eles, tratorista e inseminador artificial de animais. Trabalhou em grandes empresas do agronegócio no Estado, ganhava bons salários, era bem casado. Mas perdeu tudo para o alcoolismo.

Esta parece mais uma história de um alcoólatra, a não ser o fato, que ele começou a beber aos três anos de idade em uma propriedade rural no interior de Lavras do Sul.
– Meu primeiro porre foi aos três anos. Os caçadores que vieram de Caxias deixaram uma jarra de vinho pela metade em cima da mesa. Eu subi na cadeira e bebi tudo, talvez pelo gostinho doce. Quando minha mãe entrou na cozinha, me assustei, cai e fratura o osso da face – conta.

Aos sete anos, ele estudava pela manhã e a tarde trabalhava na propriedade de um vizinho. Como os pais garantiam o sustento, o dinheiro que ganhava era apenas para comprar cachaça, nunca tomou outra bebida.

Sempre acompanhado pela bebida, assim foi sua vida. Ele se casou e depois se separou devido ao alcoolismo.

– Minha ex-mulher não aguentou. Como sempre trabalhei para fora, quando vinha para cidade em vez de ficar com ela, saia para beber com os amigos. Quando nos separamos, tentei o suicido três vezes. Tomei veneno para matar a lagarta da soja, dei um tiro no ouvido com arma calibre 28 e entrei dormindo de trator em um açude, bêbado é claro, mas quando a máquina estava afundando, acordei com a água no pescoço – revelou William.

Com o tempo, ele perdeu a confiança das pessoas, não conseguia mais emprego, amigos e familiares começaram a se distanciar. Na época, William trabalhava em uma serralheria, estava bebendo dois litros de cachaça de alambique das 19h às 02h, mas o patrão, também não suportou e o despediu.

No entanto, o mesmo patrão foi quem conseguiu fazer com que ele fosse para Fazenda Reconquistar (clínica de reabilitação de usuários de álcool e drogas), no dia oito de dezembro de 2015. William ficou sete meses sem ir à casa dos pais, na Picada Grande.

– Para mim foi fácil a adaptação as regras da Fazenda, pois eu era visita em casa e estava acostumado com a vida no campo. Difícil foi encarar a questão religiosa. Levei dois meses para entender que o pensamento é quem manda. Depois que consegui absorver o propósito, minha forma de ver a religião e vida mudou. Aqui não tem remédio, aqui fazem você refletir sobre a vida. O álcool e a drogas são coisas boas, se fosse ruim ninguém consumia. Agora as consequências do uso é que são ruins. Aqui eles não salvam, ensinam o caminho para você se libertar – ressalta.

William afirma que a Fazenda está de porteira aberta para receber a todos Fotos: Marcelo Marques

William afirma que a Fazenda está de porteira aberta para receber a todos
Fotos: Marcelo Marques

William conta, que desde chegou na Fazenda Reconquistar mais de mil homens passaram pelo local, vários se recuperaram, mas outros ficam uns dias, uma semana.
– A Fazenda é aberta, não tem grades, não tem mensalidade. Você fica se quer. Eu vim pela dor, se tivesse tudo bem, não viria. Aqui não tem TV, rádio, internet e celular. Ficamos isolados. Dedicamos-nos aos ensinamentos da religião e a terapia (trabalho), que nos faz refletir sobre a vida – conta.

Segundo ele, hoje está recuperado, poderia ter ido embora, mas resolveu ficar para ajudar outras pessoas a se libertar dos vícios.

– Acredito que Deus sempre teve um propósito para minha vida, mas só quando cheguei à Fazenda é que descobri. Quero que minha história sirva de exemplo para outros. A cura e a libertação existem, está acessível a todos que queiram. A Fazenda está sempre de porteira aberta – disse.

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