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Geóloga caçapavana é gestora de planejamento de mineradora em Goiás

Geóloga caçapavana é gestora de planejamento de mineradora em Goiás

Sonhos são metas com pernas, diz Geóloga Luciana Oliveira Dorneles Braga
(Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

No quadro “Nossa Gente” desta semana a Gazeta entrevista a Geóloga caçapavana Luciana Oliveira Dorneles Braga, Chefe do Planejamento de Lavra da SAMA – Minerações Associadas – de Minaçu, em Goiás.

Recentemente Luciana recebeu premiação em nome da mineradora no 19º Prêmio de Excelência da Indústria Minero Metalúrgica, promovido pela Revista Minérios & Minerales, pelo projeto no aspecto ambiental que aborda a recuperação de áreas degradadas. Neste projeto, Luciana contou com o apoio do consultor Rodrigo Ordone, Diretor Técnico da RG Bioengenharia & Soluções Ambientais.

Gazeta – Fale sobre você e sua família?
Luciana – Cresci em um núcleo familiar pequeno, sou filha única de um casal que há 36 anos atrás esperou 16 anos para planejar a hora de minha chegada. Minha mãe, Vera Marlene Dorneles, professora hoje aposentada e meu pai, João Lopes Dorneles, hoje também aposentado, um homem do campo. Por ser filha única, minha educação foi “linha dura”, aprendendo o respeito e a valorização pelas conquistas do trabalho desde cedo. Fui uma criança que brincou muito, adolescente um pouco rebelde, porém sempre preocupada com os resultados na escola. Embora a distância não permita o convívio, mas ainda hoje preservo amizades da juventude, amizades que estarão comigo para toda a vida.

Gazeta – Porque decidiu cursar Geologia?
Luciana – Assim que iniciei o segundo grau na Escola Nossa Senhora Assunção, sabia que deveria me preparar para tentar vestibular um uma universidade federal e já sabia de antemão que queria entrar na UFRGS, em Porto Alegre, queria dar um passo além de Santa Maria como a maioria de meus colegas acabaria se direcionando. Finalizado o segundo grau em 1999, em 2000 com 19 anos fui morar em Porto Alegre com duas amigas e fazer cursinho pré-vestibular. Foi quando aprendi a ter responsabilidade sobre mim mesma, pois um mundo novo se abriu. Esse ano estudei, estudei e estudei e consegui passar no vestibular para duas universidades federais, na Ufpel para o curso de História e na UFRGS, para o curso de Geologia. Optei por Geologia por vários motivos, mas principalmente pelo maior leque de oportunidades que o curso favorecia e claro, por ter conseguido em meu primeiro vestibular entrar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Gazeta – Fale sobre sua profissão?
Luciana – Sou formada há 10 anos e na época o curso de geologia ainda não era tão difundido como atualmente. Recebi muitas críticas por essa opção de curso e frequentemente a pergunta: “afinal, o que um géologo faz”? Bem, sem um geólogo talvez não teríamos o desenvolvimento tecnológico de hoje, pois quase tudo que se constrói, há a necessidade de um bem mineral. Um géologo pode trabalhar na indústria mineral como é o meu caso, na indústria do petróleo, órgãos reguladores como o DNPM, CPRM, órgãos ambientais como o IBAMA, FEPAM, empresas privadas de pesquisa mineral e consultorias variadas, seguir a linha acadêmica nas universidades, entre diversas outras possibilidades do mercado.

Gazeta – Hoje a Unipampa oferece o curso de Geologia, qual sua opinião?
Luciana – Caçapava e região, por sua diversidade geológica sempre serviu de base para a grande maioria das atividades de campo do curso de geologia da UFRGS, UNISINOS e até mesmo da USP. Quando soube da abertura do curso no munícipio, além do orgulho que senti da minha terra, logo pensei na possibilidade de desenvolvimento econômico, pois certamente iria estimular a retomada dos diversos projetos de pesquisa existentes na região, como é o caso que hoje acontece com o projeto da Votorantim.

Gazeta – Conte um pouco sobre sua vida particular?
Luciana – Conheci meu esposo, Rodrigo Braga, em 2009 quando ainda trabalhava em Minas Gerais. Ele é arquiteto e atualmente direcionou sua carreira para design e fotografia. Casamos um ano após termos nos conhecido e no início de 2012 mudamos para o interior de GO. Em 2015 conhecemos o que é o maior amor do mundo, tivemos a nossa Maria Laura, uma goianinha linda e sapeca demais. Sempre que possível, vamos MG para ela ficar um pouco com a família mineira e ao sul, na nossa Caçapava querida, para ela curtir a família gaúcha.

Gazeta – Quando você começou a trabalhar na SAMA?
Luciana – Em Minas Gerais, trabalhava na área de Planejamento de Lavra da CSN- Companhia Siderúrgica Nacional, uma grande empresa mineradora de ferro. Sou uma pessoa movida por desafios e quando completei 04 anos na CSN, senti a necessidade de renovar, de me sentir desafiada novamente. Literalmente fui em busca de novas oportunidades no mercado e participei de um processo seletivo na SAMA SA Minerações Associadas, optando então por essa grande mudança, Belo Horizonte, capital, por Minaçu, interior de Goiás. Na SAMA iniciei minhas atividades como geóloga SR, responsável por toda área de geologia da empresa e logo acabei direcionando minha carreira para gestão onde realizei um MBA na área de gestão de pessoas na FGV – Fundação Getúlio Vargas. Atualmente sou gestora da área de Planejamento de Lavra, gerindo as equipes de planejamento, geologia e topografia, além de desenvolver toda recuperação ambiental da empresa e responder diretamente a todos os órgãos reguladores, como o DNPM.

Gazeta – Na região, ambientalistas e políticos são contra instalação da Votorantim nas
Minas do Camaquã. Qual sua opinião?
Luciana – A empresa Votorantim é reconhecidamente uma empresa com grande responsabilidade sócio-ambiental e sua instalação nas Minas do Camaquã não é só importante para Caçapava e região, como para o estado do Rio Grande do Sul. Quando um projeto de mineração é elaborado por profissionais de alto gabarito técnico, seus relatórios base como EIA-RIMA, PCA (Plano de Controle Ambiental) e PRAD (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas) foram desenvolvidos com seriedade, não há porque acreditar que o projeto trará algum problema ambiental. É preciso acreditar na seriedade que o projeto será desenvolvido.

Gazeta – Deixe uma mensagem aos estudantes do curso de Geologia da Unipampa?
Luciana – A universidade é uma fase ótima da vida, onde a maior responsabilidade que temos é com nosso próprio futuro, então, dedicação sempre! O mercado de trabalho é amplo, mas as melhores colocações são para aqueles que trabalham duro, então tem que suar a camisa e não esqueçam: SONHOS SÃO METAS COM PERNAS!
Gazeta de Caçapava
18.07.2017 – 15h29min

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