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Em busca de negros tocadores de bandoneon

Em busca de negros tocadores de bandoneon

Documentário percorre a Campanha atrás desses músicos e de suas histórias com esse instrumento de som encantador, apreciado por gaúchos dos dois lados do Rio da Prata

Você conhece algum bandoneonista negro em Caçapava? Se a resposta é sim, o diretor Diego Müller espera seu contato. Ele está gravando o documentário “Bandoneando – a busca pelos bandoneonistas negros da Campanha Gaúcha”.

Tudo começou no ano passado, já durante a pandemia. Diego mora no Rio de Janeiro, mas sua família tem uma propriedade no Cerrito do Ouro, onde ele e a esposa vieram passar um período de confinamento. Nessa época, ele começou a participar de um programa de debates culturais em uma rádio. Foi um de seus colegas neste programa, Fábio Verardi, quem lhe falou que aqui havia muitos bandoneonistas negros.

– Achei o tema bastante interessante, até porque eu estava bem envolvido com a questão do negro no Rio Grande do Sul. Agora no início do ano, a Marcopolo lançou um edital através da Sedac [Secretaria Estadual da Cultura] com recursos da Lei Aldir Blanc para produção cultural no Estado, e resolvi inscrever o documentário, que foi contemplado. O documentário não é sobre algo que a gente sabe que está em determinado lugar e estamos indo ao encontro para contar mais sobre ele. Nosso documentário é sobre procurar algo. O “Bandoneando” não é sobre os negros tocadores de bandoneon, é sobre a busca por eles, o processo de tentar encontrá-los – explica o diretor.

Segundo Diego, a equipe que está trabalhando na produção do documentário tem duas viagens previstas a Caçapava. Na primeira, realizada na semana de 20 de maio, foi estabelecido um circuito de pesquisa e documentação no entorno do município. Também nessa oportunidade, eles conversaram com o historiador João Henriques e com o colecionador de bandoneons Ciro Chaves.

– A partir deles, estabelecemos um ponto de partida, porque as histórias que eles iam nos contando nos davam mais curiosidade, mais interesse de ir atrás. Basicamente, nossa ida a Caçapava foi para conversar com pessoas que, de alguma forma, se correlacionavam. Montamos um organograma em que uma pessoa leva a outra ou a outra história, a outro lugar. Fomos também até o Clube União, onde muitas coisas interessantes foram encontradas, e ao Seivalzinho. Foi um momento muito particular com a cidade de Caçapava – avaliou o diretor.

De acordo com Diego, nesta primeira vinda a Caçapava foi possível encontrar dois bandoneonistas negros, além de histórias de vários que já faleceram. Quando retornava a Porto Alegre, a equipe incluiu no roteiro uma parada em Cachoeira do Sul, onde reside um deles. Outras cidades também devem ser visitadas.

– Quando a gente fala em Campanha Gaúcha, está falando de toda a parte rural, no meu entendimento, que envolve essa região Oeste/Fronteira Oeste do Estado. A nossa ideia é ir a esses lugares. O ponto de partida é o entorno de Caçapava, mas já temos algumas idas planejadas a São Sepé, Alegrete, Livramento, interior de Bagé, Camaquã e Encruzilhada. E também devemos ir a outras cidades que não fazem parte da Campanha, mas que é onde estão residindo hoje algumas pessoas, como o Ênio Medeiros, que mora em Paraíso do Sul – relatou o diretor.

Junto ao documentário, será produzido também um podcast para contar sobre o processo de produção. Eles devem estar prontos até 15 de setembro, data limite para serem apresentados à Sedac e à Marcopolo. Conforme Diego, a data de lançamento ainda não está marcada, pois ainda não foi definido se o produto final será destinado a percorrer o circuito de festivais de cinema ou a ser postado no YouTube ou algum serviço de streaming.

– Como é um processo de busca, se a comunidade tiver como contribuir e nos ajudar a contar a história dessas pessoas, seria muito legal. A gente sabe que tem descendentes de bandoneonistas negros em Caçapava e na região. Se alguém tiver fotos, algum vídeo ou algum fonograma, pode entrar em contato conosco – finalizou Diego.

O documentário está sendo produzido pela GM/2 Filmes, e conta com Frederico Bonani (diretor de fotografia), Fernanda Etzberger (produtora), Gabriela Bervian (técnica de som), Leonardo Gadea (assistente de direção), Maria Rita Souto Dias (assistente de produção), Fabrício Cantanheda (montagem) e Renato Machado (roteiro) na equipe.

Quem tiver alguma informação para repassar a eles pode entrar em contato com Leonardo (gadeaproducoes@gmail.com ou (55) 9 99855744), com Fernanda (fernanda@ikebanafilmes.com.br ou (51) 9 94803000) ou pelo Instagram @bandoneando.

No Quilombo Picada das Vassouras, a produção do documentário encontrou um bandoneonista, o Seu Manoelzinho (Crédito: GM/2 Divulgação)

Diretor Diego Müller, que espera a ajuda dos caçapavanos para encontrar bandoneonistas negros (Crédito: arquivo pessoal)

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