Bombeiros de Caçapava foram chamados para salvar o bichinho, que estava no alto de uma árvore junto à mãe, morta

Um filhote de bugio foi resgatado em Santana da Boa Vista na sexta-feira, dia 02, pelo Corpo de Bombeiros de Caçapava. O caso ocorreu na região de Serra dos Vargas, interior do município vizinho. Um morador da localidade ouviu o choro do animalzinho, que estava no alto de uma árvore, junto ao corpo da mãe, morta por um tiro de arma de fogo. Ele chamou os fiscais da Vigilância Sanitária de Santana, que acionaram a Polícia Ambiental de São Gabriel. Os policiais passaram o contato do gabinete da vereadora caçapavana Mirella Biacchi (PDT), defensora dos animais, que chamou os bombeiros.

Os soldados Lorenzoni e Altieres fizeram o resgate. Eles contaram que encostaram o caminhão e usaram a escada para alcançar o alto da árvore.

– Resgatamos o filhote, o colocamos em local apropriado, e o entregamos à fiscal ambiental. Foi bastante difícil o acesso à mãe, por estar bem alto nas árvores. Meu colega e eu percebemos que ela estava com uma perfuração, a princípio por arma de fogo. Não tinha mais o que fazer. Enterramos ali mesmo – relatou o soldado Lorenzoni.

Ainda de acordo com ele, o filhote de bugio parecia estar bem debilitado e com fome. O soldado Altieres disse que, quando chegaram ao local, o bichinho aparentemente estava tranquilo e sem ferimentos, mas os moradores da região relataram que, antes, ele havia gritado muito, agarrado à mãe.

O filhote foi levado para o Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre (NURFS) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Conforme Paulo Mota Bandarra, médico veterinário do NURFS, o filhote é um machinho de aproximadamente três meses que está ganhando peso, mama bastante e recebe cuidados 24 horas por dia. A notícia triste é que dificilmente ele poderá ser devolvido à natureza.

– Estes animais precisam de um grupo estabelecido na natureza para sobreviver. É praticamente impossível que um filhote retirado tão precocemente do seu bando possa voltar a viver com ele. Além disso, os órfãos criados fora do seu ambiente natural deixam de aprender muitas coisas que seriam necessárias para sua sobrevivência na natureza – explicou o veterinário.

Segundo o Artigo 29 da Lei nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida” é crime contra a fauna, com pena prevista de detenção de seis meses a um ano e multa. Apesar disso, conforme a Polícia Civil de Santana da Boa Vista, nenhuma ocorrência sobre o caso foi registrada.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: NURFS/UFPel