Por Cristiana La Rocca Teixeira

Poeta lavrense Gujo Teixeira inova ao proporcionar uma jornada pelos sentidos humanos em seu mais novo livro de trovas literárias

Foi no período mais pesado da pandemia que o poeta Gujo Teixeira deu vida a um projeto ousado e inovador: a vontade de transformar em trovas literárias suas reflexões e pensares sobre um momento delicado, proporcionando ao leitor uma pequena jornada de bem-estar surpreendente aos nossos cinco sentidos: olhar, ouvir, tocar, cheirar e saborear. Não entendeu? Explicamos.

A história começa em março deste ano. Em seis meses, Gujo produziu e publicou suas trovas no Instagram e Facebook. Deste processo nasceu uma proposta mais universal, diferente de seus livros anteriores: Pitangas, que reúne recados, frases baseadas em ditados, provérbios e sentenças do cotidiano transformados em versos, além de algumas receitas gastronômicas pitangueadas de avó, como diz o autor, ao final da obra. Uma experiência única e sensorial que promete encantar o leitor e garantir a ele um viés de alento, paz e encorajamento.

Em tupi-guarani, pitanga significa vermelho, e é uma fruta que traduz a infância, remete para a mágica da saudade, da família, de nostalgia. Deve ser saboreada aos poucos, é peculiar, diferente, especial, não se encontra em qualquer lugar – e essa é justamente a tradução desta obra. Tudo nela é singular, como a pitanga, a começar pela apresentação. A capa dura traz a fruta em alto relevo, e um sachê de creme de pitanga para as mãos, além do aroma impregnado em suas páginas, impressionam pela delicadeza dos detalhes, somados a um pacotinho de balas de pitanga que acompanha o livro. E não paramos por aqui.

Além do aroma doce e refrescante junto a uma leitura inspiradora, Pitangas reúne um total de 106 pessoas envolvidas em um processo de trilha sonora para o Spotify, com vozes de artistas, atores, cantores e anônimos de vários lugares do Brasil e do exterior, que declamam suas trovas. No próprio livro, as trovas estão acompanhadas de QR Code – basta apontar o celular para o código, e o verso será ouvido na voz de personalidades como Mano Lima, Ernesto Fagundes, Evandro Mesquita, Gaúcho da Fronteira, Jackson Antunes, João Almeida Neto, Joca Martins, José Alberto Andrade, Juliano Cazarré, Luiz Marenco, Letícia Spiller, Marcos Palmeira e Thiago Lacerda, além da participação das filhas do poeta, Guilhermina e Bethânia, entre outros. São vozes de vários sotaques que formam um mosaico cultural extraordinário e imperdível, completando os cinco sentidos que elevam o ser humano à condição de ser único na natureza. Pitangas é assim: único, excepcional, inusitado e raro, como a própria fruta. Sua função doce, poética e curativa desperta lembranças ternas e eternas, e sua excelência ajuda a colocar, com simplicidade, cada coisa no seu lugar, como os nossos pensamentos.

Um poeta premiado

Como poeta, compositor e jurado, Gujo Teixeira participa há 30 anos dos festivais nativistas. São 500 festivais, mais de 500 composições de sua autoria gravadas e muitas premiadas em quase todos os festivais do Estado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Lançou juntamente com Luiz Marenco e Jari Terres os CDs “Quando o Verso Vem Pras Casa” e “Enchendo os Olhos de Campo”. Em 2002 lançou o CD “Batendo Água”, em 2004 “Campo Largo”, e em 2007 “Bem na Porteira”, estes dois últimos com composições suas interpretadas por vários nomes do nativismo gaúcho.

O recente CD “Gauchada” comemorou 20 anos de poesia e música, e, junto com o compositor Luciano Maia, lançou “Cordeona-me”, que levou em 2013 o Prêmio Açorianos de Música na categoria Regional. São dez CDs lançados com composições de sua autoria, cantados pelos maiores nomes do Rio Grande do Sul, além de nove livros de poesia, juntamente com Pitangas, publicados em 30 anos de regionalismo gaúcho.

Chorar as Pitangas

É o ato de se queixar de algo lamuriar. Segundo a indicação de algumas pesquisas, como a do folclorista Câmara Cascudo, o termo foi cunhado por meio deste contato entre culturas diferentes – o sangue que compõem a expressão lusitana foi substituído por pitanga, que significa vermelho na língua tupi-guarani. Dessa forma, o termo acabou fazendo alusão a uma lamentação extensa, onde o reclamante passaria chorando até ficar com seus olhos avermelhados.

Algumas trovas do livro


(Todas com QR Code disponível para Spotify)

 “Quem dera se a vida fosse
– apesar da inconstância –
Feito uma pitanga doce,
com gosto bom de infância.”
(na voz do ator carioca Thiago Lacerda)

“Quem faz em si, moradia,
nunca vai andar sozinho!
Tem a melhor companhia
e já conhece os vizinhos.”
(na voz do ator mineiro Jackson Antunes)

Na agenda

Não haverá lançamento, por conta da pandemia, e a divulgação será apenas virtual
Onde comprar: diretamente com o autor, pelo whatsapp (55) 9976-5440, ou no instagram @gujoteixeira, onde o interessado encontra todas as informações
Quanto custa: R$ 50,00, mais os custos dos Correios

Capa e ilustrações: Milton T. da Costa
Produção artística: Guilhermina Teixeira
Sensações do livro: produtos cosméticos desenvolvidos pela Lilium Recanto (RS) e doces produzidos pela Galo Balas (RJ)

Gujo Teixeira tem composições cantadas pelos maiores nomes do Rio Grande do Sul, além de nove livros de poesia

Fotos: Guilhermina Teixeira/Divulgação