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“Tudo eu usava para me fortalecer”

“Tudo eu usava para me fortalecer”

Dentre todos os tipos de câncer, o de mama é o mais comum entre as mulheres. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), esta doença responde por 22% dos novos casos de câncer no País a cada ano. O Instituto estima que, apenas no Rio Grande do Sul, 5.210 novos casos de câncer de mama podem ser registrados até o fim deste ano.

Melina com os filhos Ana Clara e Angelo

Mas, mais importante do que falar em números, é falar das muitas mulheres que lutam para vencer a doença. Entre elas, está a caçapavana Melina Piani Machado, de 35 anos e mãe de dois filhos. Ela descobriu o câncer de mama em setembro de 2019. Começou sentindo dor na mama e, inicialmente, não deu muita atenção. Porém, com a persistência da dor, procurou sua ginecologista, que solicitou alguns exames e, com os resultados, encaminhou-a para um mastologista. Logo, vieram mais e mais exames.

– Quando recebi o diagnóstico, parecia que meu chão estava se abrindo, fiquei sem reação, não conseguia pensar. Mas nunca senti medo, nunca pensei que pudesse acontecer algo. Às vezes, ficava insegura por não saber como seria o próximo passo, mas sempre foquei na data da última sessão de quimioterapia. O momento mais difícil foi quando já tinha feito 16 sessões e recebi a notícia de que teria que fazer mais 12. Isso me deu uma desestabilizada, mas não deixei esse sentimento tomar conta de mim. Foquei novamente no final. – disse Melina.

Assim como muitas mulheres que passam pelo tratamento, ela perdeu o cabelo. Melina conta que, logo que recebeu o diagnóstico, perguntava ao médico a cada consulta se isso realmente aconteceria e a resposta era sempre a mesma: sim.

– No início, foi difícil, não conseguia me imaginar sem cabelo, mas, aos poucos, fui vendo que o cabelo era o de menos, o que eu queria era me curar. – declarou.

Após realizar a primeira sessão de quimioterapia, Melina decidiu cortar um pouco do cabelo e, à medida que ele foi começando a cair, ela cortou mais. Mas, mais ou menos 15 dias após o início do tratamento, decidiu passar a máquina e, para isso, precisou se preparar:

– Fiquei dois dias carregando um lenço comigo, para caso eu criasse coragem de ir ao salão e passar máquina. No final do segundo dia, a coragem veio e fui sem avisar ninguém. Quando cheguei em casa, foi uma emoção só, era uma mistura de sentimentos. Nos primeiros dias, eu usava lenço, mas, como isso foi em dezembro e estava muito calor, logo deixei de usar e assumi minha careca. Aproveitei cada fase, desde os cortes que fiz, a careca e, agora, o cabelo crescendo – contou Melina.

Melina na sua última quimio no HUSM

O tratamento, realizado no Hospital Universitário de Santa Maria, foi longo, mas, após uma jornada de muitos exames e sessões de quimioterapia e com o apoio da família e amigos, hoje, Melina está curada e segue fazendo o acompanhamento médico.

– Fiquei de novembro de 2019 a julho de 2020 fazendo quimioterapia. O tratamento em si é doloroso e eu tinha mais a questão das viagens. Isso tudo se torna desgastante. Muitas vezes, eu chorava durante as sessões de tanta dor que sentia. Mas, nesse período, conheci várias pessoas e ouvi histórias de vida. E, tudo, eu usava para me fortalecer. Ninguém sai de um tratamento para o câncer igual, mudamos e mudamos muito. Mulheres, façam o autoexame, procurem seu médico, cuidem-se, previnam-se. Quem está em tratamento, não desanime, sei que não é fácil, mas o otimismo ajuda no tratamento também. – concluiu Melina.

Por Iara Menezes 

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