Além do caso de a Prefeitura ter aplicado doses da xepa da vacina contra a Covid-19 em servidores da Secretaria de Assistência Social, durante a semana, também causou polêmica o fato de o vereador Luis Fernando Torres, o Boca (PT) ter se vacinado em Cachoeira do Sul. Procurado pela Gazeta, ele afirmou que não é fura-fila, e que tudo ocorreu dentro da legalidade:

– Estou muito surpreso com essa repercussão, porque eu me trato em Cachoeira do Sul. Além de tratamento com um cardiologista, tive hepatite C, consegui me curar depois de dois tratamentos que deixaram sequelas graves. Tenho triglicerídeos e colesterol altos, problemas circulatórios sérios, pressão alta, sou obeso e fumante. O doutor me recomenda, desde o ano passado, que eu tome muito cuidado, mas como sou político, preciso ir aos lugares. Com essas variantes do vírus, ele me disse que eu era obrigado a tomar a vacina, porque se eu pegar, minhas possibilidades de escapar são muito pequenas. Tenho 57 anos e várias comorbidades, então estou dentro da lei. Quinta-feira passada, falei com a secretária de Saúde aqui de Caçapava, mas ela disse que eu não tinha como fazer. Liguei para o doutor, e ele me disse que fizesse em Cachoeira. Sou natural de lá, onde morei até meus 15 anos, a minha identidade é de Cachoeira. O doutor consultou o pessoal, que disse que tinha vacina pra mim, e eu fui, levei o laudo do médico e cópias da receita, da minha identidade e do meu CPF. O SUS é o mesmo em todo o país. Eu me vacinar aqui ou em Cachoeira é a mesma coisa, porque o Sistema Nacional de Vacinação é o mesmo. Ninguém fez nada escondido e muito menos fora da lei. Sou um cidadão brasileiro, com 57 anos e comorbidades, tenho direito a fazer a vacina. Não furei a fila. Estou com a consciência tranquila – disse.

Questionado sobre ter negado por duas vezes durante a sessão da Câmara de Vereadores de terça-feira, dia 11, que havia se vacinado, Luis Fernando Torres disse que não negou ter se vacinado, apenas se negou a falar ao vereador Caio Casanova (PDT).

– Estamos pedindo à Secretaria da Saúde uma lista das pessoas que se vacinaram, mas não podemos ter acesso porque é sigiloso. Como é que um vereador tinha os meus dados? Quem repassou? Se não posso receber os dados de quem foi vacinado no município, porque o Caio pode receber os meus? Como ele tinha todos os dados meus e da chefe de gabinete da vereadora Patrícia? É uma coisa que a gente quer saber. Como nossos dados vazam? – questiona o vereador.

A Gazeta procurou a Secretaria da Saúde de Cachoeira do Sul para saber se, por ser natural do município vizinho e fazer tratamento de saúde lá, o vereador poderia ser vacinado. Também foi perguntado se ele poderá tomar a segunda dose lá. Em resposta, a Secretaria informou que “o paciente se vacinou no dia 10 de maio, apresentando atestado de comorbidade (hipertensão e hepatite). Não é rotina da Secretaria solicitar comprovante de residência a quem procura a vacinação; neste caso, o que é solicitado é o documento comprovando a comorbidade (atestado médico)”.

Foto: imprensa Câmara