Tio Gonça durante apresentação no estúdio da Rádio Caçapava
Foto: Arquivo da família

 

No dia 25 de fevereiro de 2018 faleceu o senhor Gonçalino Soares de Macedo aos 90 anos. Além de Dona Januária Marques de Macedo, esposa, deixou os filhos José Clauci Macedo, Osvaldo Macedo, Pedro Vanolin Macedo e Catarina Macedo. Deixou netos e bisneta também.

O tio Gonça nasceu na localidade de Pinheiro em setembro de 1927, casou-se em 1950, vindo em seguida para Caçapava onde se estabeleceu com um pequeno comércio de secos e molhados. Como costumava iniciar suas atividades bem cedo começou a ser conhecido como “Seu Madruga”, nome de adotou no seu pequeno Armazém.
Exercia também a profissão de pedreiro através da qual construiu diversas casas com o objetivo de alugá-las e melhorar a sua renda.

Conta-se que em 1963 encheu uma lata de bolachas, daquelas de 18 litros, de dinheiro e foi na revenda da Volks e comprou aquele carro utilitário da Volkswagen no estilo perua chamado kombi. Como não sabia dirigir ainda, para aprender, colocou a Kombi sobre uns caixotes, ligou, engatou a primeira, e sentou-se para dirigir “no ar”. Teve coragem para dirigir na rua nos domingos de madrugada, numa época que não existia movimento algum nas ruas de Caçapava.

Trabalhava muito, costumava abrir seu boteco também aos domingos. Quando morava no interior do município costumava cantar estrada afora, no silêncio da estrada de chão, com os passarinhos fazendo o fundo musical. Dizem que nesta época não costumava participar dos bailes, como veio a acontecer mais tarde, quando adentrou a maturidade. Adorava ir aos bailes no Clube da Melhor Idade. Lá, o que mais gostava, era fazer novas amizades, procurando dançar o quanto as pernas permitissem.

Organizou em casa um espaço que chamava de “Galpão da Amizade”. Ali festejava seus aniversários cercado de amigos, dançando muito e filmando, para guardar como recordação. Já bem idoso declamava na janela do seu quarto muitas vezes assustando os transeuntes com seu vozeirão.

Adorava também se apresentar no programa “O Grande Rodeio da Sentinela”, conduzido para apresentador Antônio Carlos Alves na Rádio Caçapava. Ali declamava com muita satisfação cumprimentando prendas e peões, com ênfase para elas.

Acordava bem cedo para decorar as poesias que iria declamar, pois se preocupava em não errar. Certa feita, depois de uma semana de preparação, seu colega Valdo Lima declamou a mesma poesia que havia preparado. Ficou muito chateado com isto.

No armazém vendia bebidas de álcool e costumava preparar “um limãozinho” muito apreciado pela sua clientela. Ele não provava, mas diziam os clientes que era muito bom e que sempre era bem igual. Ele incluía mel na receita.
Pode-se guardar nas avenidas da memória um homem alegre, festeiro, honesto, que trabalhou muito e soube aproveitar a vida enquanto foi possível.