Este importante personagem da história rio-grandense ( para alguns um anti-herói) foi um dos principais lideres da tropa de choque de Júlio de Castilhos. Na insurreição federalista de 93, foi o comandante da 5º Brigada da famosa Divisão do Norte do Senador Pinheiro Machado. Sua biografia ficou tristemente marcada principalmente por dois episódios: o massacre do Boi Preto, que ele protagonizou (09-04-1894) perto de Palmeiras, 370 vitimas) e a profanação do cadáver de Gumercindo Saraiva (como vimos em edições anteriores deste jornal).

A forte teia política formada por Firmino de Paula nas regiões norte e nordeste, ficou conhecida como firminismo e ele muito contribuiu para derrotar os maragatos nas insurreições que eles fizeram em 93 e 23 e também para derrotá-los nos movimentos revolucionários que eles participaram: A Revolta Paulista de 24, os levantes de 25 e 26 e a Contra-Revolução Paulista de 32.

Mas qual a ligação de Firmino de Paula com Caçapava?
Você deve conhecer a “Picada do Ricardinho”, vila no interior deste município, perto do Durasnal.

Quem foi este Ricardinho que deu nome ao lugar?
Foi o destacado estancieiro Ricardo José de Magalhães que, quando soube que a caravana de D. Pedro II iria passar em sua estância para chegar à Caçapava rumo à Uruguaiana, reuniu o pessoal da região (inclusive os negros do Quilombo Abissinia que existia nos fundos de sua propriedade) e mandou calçar com pedras um trecho da estrada onde a carruagem de D. Pedro II poderia atolar. (mais detalhes sobre Ricardinho, você encontra no livro: Honório Lemes o Tropeiro da Liberdade, de Carlos Cassel, Lucas Zamberlan, Luis Hugo Burin e Remaldo Cassol(oficina de criação Literária Alcy Cheuiche-2005).

E ainda mais detalhes sobre Ricardo de Magalhães encontramos no livro: “os olhos do general” Sub-título: Por que Firmino de Paula foi um dos homens mais temidos do seu tempo? (Martins Livreiro Editora 2º edição 2016).

Neste livro, de Rossano Viero Cavalari ficamos sabendo que: Ricardo de Magalhães era casado com Maria Mansa de Aguiar; que uma das filhas do casal de nome Felecidade Perpétua de Avelar Magalhães, no dia 30/06/1829, casou-se com Francisco de Paula e Silva, natural de Cruz Alta, e que Firmino de Paula era um dos filhos deste casal, nascido em Cruz Alta em 17/02/1844. Portanto Firmino era neto de Ricardo de Magalhães.

Elson Borba
Professor de História