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Informação de Confiança – Acabou a recessão? – Harri Gervásio

Informação de Confiança – Acabou a recessão? – Harri Gervásio

Painel 503. Ano XI

 

Acabou a recessão?
Com a divulgação pelo IGBE dos dados do Produto Interno Bruto relativos ao primeiro trimestre de 2017, o pessoal ligado ao governo anunciou aos quatro ventos que a recessão acabou. Vale a pena neste momento realizar uma analise mais consistente do assunto para evitar surpresas ou interpretações equivocadas sobre o tema. O que deve ficar bem claro desde já é que inexiste consenso na definição de recessão. Alguns economistas dizem que é quando o PIB apresenta sinais negativos durante dois trimestres, o que chamam de “recessão técnica”. Outros afirmam que recessão é algo mais amplo que apenas o resultado do PIB.

Dizem que recessão é quando ocorre uma retração generalizada na economia com queda na produção, consumo, investimentos, emprego. Os números da Fundação Getulio Vargas, indicam que o Produto Interno Bruto brasileiro está em queda desde o segundo trimestre de 2014, perfazendo 11 trimestres negativos até dezembro de 2016. Agora com o crescimento de 1% no primeiro trimestre deste ano é prematuro afirmar que a recessão acabou. A grande maioria diz que este resultado se deve aos efeitos da super safra do agronegócio e que ficará restrito apenas há este trimestre. Com alguns números já conhecidos do mês de maio, existe aposta de que o segundo trimestre será negativo o que coloca um balde de agua fria na tão sonhada recuperação econômica. Os menos céticos afirmam que após o crescimento divulgado virá um marasmo com a economia produzindo resultados próximos de zero, caracterizando a estagnação. Uma coisa é certa, apenas com o resultado conhecido é prematuro afirmar que a recessão acabou. Claro que é um bom resultado, mas é melhor esperar algum tempo para afirmar que a tendência mudou e veio para ficar.

Arriscado
O PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano cresceu 1% em relação ao ultimo de 2016, mas quando comparado com igual período do ano passado, a queda é de -0,4%. No acumulado dos últimos 12 meses o resultado é de -2,3%. Mesmo com o resultado positivo do primeiro trimestre voltamos ao patamar do PIB em 2010, ou seja, um atraso de 7 anos.

Os bons números de 2017 se deve ao fantástico desempenho do setor agropecuário que cresceu 13,4% vitaminado pela super safra. Já a indústria caiu -0,9% nos primeiros três meses do ano e os serviços, que respondem por mais de 70% da economia, ficaram em zero. Nos investimentos a queda foi de -1,7%, com uma taxa igual à de 1996 e o consumo das famílias caiu -0,1%. O desemprego é alto e crescente. Estes números permitem uma visão mais elástica do desempenho da economia neste inicio de ano e principalmente fornece as tintas para a pintura dos cenários futuros.

Sair dum processo recessivo de mais de dois anos é algo difícil e demorado, pois para a retomada consistente da economia é necessário a melhora de diversas variáveis inclusive politicas. Hoje a incerteza motivada pelo enfraquecimento do presidente Temer, deterioração no setor politico, possibilidade de novas eleições e dificuldade na aprovação de reformas, reduz drasticamente a possibilidade de investimentos até mesmo de manutenção do atual estágio da produção, freando ou diminuindo o emprego. É prematuro e arriscado dizer que a recessão acabou, os próximos 60 dias serão decisivos.

Banho-Maria
Aquilo que muitos previam realmente aconteceu! O ultimo boletim Focus do Banco Central reduziu a taxa da Selic em apenas um ponto percentual. Há duas semanas o mercado falava em queda de 1,25% mas os últimos acontecimentos no mundo politico modificaram a estratégia. Nesta semana veio à explicação dos motivos que fizeram os diretores do BC indicarem a redução moderada no procedimento. Segundo eles os motivos são de que a crise politica pode afetar a economia que iniciava uma recuperação e isto causaria uma turbulência no mercado fazendo o dólar subir, afetando diretamente a inflação. Esta prudência que o momento exige, vai influenciar na projeção de chegar ao final do ano com uma Selic de 8,5%. Tempos bicudos exigem decisões cautelosas. Tudo fica em banho-maria!

Nível socioeconômico

A FEE divulgou os dados do Indice de Desenvolvimento Socioeconômico de 2914, que analisa 12 indicadores agrupados em três blocos: educação, renda e saúde. Entre os 497 municípios Caçapava do Sul esta na 415ª. colocação. Em educação aparece em 327º. lugar, em renda 399º. e em saúde 472º. este muito perto dos últimos colocados. São resultados preocupantes que exigem analises e ações.

Pense

O amor é a única coisa que cresce à medida que se reparte.
09.06.2017

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