Painel 541 – Ano XIIl

Educação e desenvolvimento
Inexiste dúvidas sobre a importância da educação no processo de desenvolvimento de um país. Os políticos sabem de cor e salteado esta verdade, mas na hora de executar políticas e processos, esta fica em segundo plano. Muito mais que riquezas naturais, a educação é o grande suporte e propulsor do crescimento, derrotando o subdesenvolvimento. O Brasil há bastante tempo vem lutando para avançar, mas acaba com resultados inferiores ao desejado.

Na década de 30, o Presidente Vargas investiu nos cursos técnicos visando à formação de mão de obra para a indústria. Os anos foram acontecendo e o que se viu foi plano e promessas que resultaram em muito pouco. O capital intelectual continua estacionado ou andando muito devagar. Na verdade a educação nunca foi levada a sério pelos gestores públicos deste país, sendo uma das razões que pesam na derrota da luta pelo desenvolvimento.

Analfabeto funcional
Os números de analfabetos no Brasil são pequenos, mas os dos analfabetos funcionais são preocupantes. Analfabeto funcional é definido como o indivíduo que é incapaz de entender textos simples. Leem mas sem a devida interpretação daquilo que leram. Dizem que quase metade da população brasileira de 15 a 64 anos diz que sabe ler e escrever, mas confessam ter enorme dificuldade de interpretar aquilo que leram. O mais assustador é que este contingente tem crescido ano após ano, ou seja, deixa de ser analfabeto, mas passa para a turma dos que sabem ler e escrever, mas pouco entende daquilo que leram.

Analfabeto financeiro
Segundo o Pisa – Programa Internacional de Avaliação de Alunos, realizado em vários países, avalia a instrução dos estudantes de 15 anos, sendo que os brasileiros são os mais ignorantes em finanças. Pesquisa SEBRAE indica que o desconhecimento de finanças acontece também nos empreendedores autônomos. Muitos nunca fizeram curso ou treinamento especifico.

Destes, a metade deixa de fazer previsão de gastos, metade ainda usa o famoso caderninho para anotar gastos ou fiado; 40% desconhecem os números da receita. Esta uma das grandes barreiras que entravam o processo de desenvolvimento deste país e o pior é a falta de vontade política de realizar uma transformação neste cenário.

O número expressivo de famílias endividadas, 60%, dizem bem esta realidade. A tentativa de retirar parte da população da pobreza através da distribuição de renda, estratégia usada pelo governo há poucos anos atrás, foi inviabilizado em parte, devido o despreparo em finanças. Fica clara a necessidade o obrigatoriedade da matéria educação financeira nos currículos escolares. Existem outros fatores que entravam de desenvolvimento do Brasil, mas os investimentos em educação, e na capacitação dos agentes, são de extrema importância para maior ritmo neste processo.

Fica a grande pergunta: Se os gestores públicos sabem esta necessidade e conhecem a realidade do país, por que deixam este setor em segundo plano? Será que existe interesse de que este contingente permaneça elevado possibilitando maior margem de manobra?

Manifestações
A categoria dos caminhoneiros realiza protestos em relação a alta dos combustíveis, que segundo eles esta inviabilizando o transporte. Isto é fruto da nova política de preços da Petrobras, que repassa para os combustíveis a variação da cotação do petróleo no mercado internacional, para cima ou para baixo. Ultimamente dois fatores empurraram o preço para cima, a cotação do dólar e a alta internacional do petróleo.

A valorização do dólar em relação ao real acontece devido à fuga da moeda a procura de menor risco, pois além do Brasil e Argentina os emergentes apresentam grande instabilidade e incerteza sobre o futuro. Com menos dólar no mercado a cotação aumenta. No lado da cotação do petróleo é possível perceber tendência de alta, sendo que nos últimos dias bateu na casa dos US$ 80 o barril, valor semelhante a 2014. Alguns analistas já projetam que poderá chegar a US$ 100. Isto se deve a redução na produção dos países da Opep. E aí volta aquela lei, com menos oferta o preço sobe.

Estes dois fatores dificilmente serão arrefecidos no curto prazo, portanto por este lado fica difícil de vislumbrar alguma mudança interna nos preços dos combustíveis. Internamente as manobras do governo são pequenas, sendo improvável o resultado. Se retirar impostos dos combustíveis quem pode afirmar que o preço vai cair? O preço final de bomba é ditado pelos postos e estes, principalmente, quando é de baixa, deixam de acompanhar o movimento, argumentando readequação de margem. Pelo que se vê a solução deste conflito é de difícil solução. Procura-se ideias!

Pense
As grandes mudanças na vida começam de dentro para fora.

Economista Harri Goulart Gervásio
harriconfia@farrapo.com.br