Por mais que sejam apresentados argumentos é necessário números e informações quantitativas para um entendimento do fato ou relação. Em economia a preocupação é transformar variáveis em medidas quantitativas para que a comparação possa ser feita.

Sempre que possível este espaço é utilizado para, além de apresentar opiniões e análises de aspecto econômico, trazer um acompanhamento de números que sofrem alterações corroborando ou alterando tendências. O final de ano esta chegando e como de costume, é aguardado o resultado do ano econômico.

Claro que no início de 2018 a expectativa era bem diferente da realidade de hoje. Era muito mais um desejo do que uma projeção factível em cima de uma realidade vivida no ano passado e esperada para 2018. Eram dois eventos previstos que normalmente agitariam o mercado, sugerindo gastos e demandas. Primeiro a Copa do Mundo de Futebol e aí aconteceu aquele desastre, com os brasileiros mais uma vez ficando sem a taça. Todo mundo murchou!

Logo depois a guerra das eleições. O gaúcho poderia dizer que foi uma briga de foice. Um pouco antes, maio, a greve dos caminhoneiros provocou um baita estrago no comércio em geral. Produtos desapareceram e outros ficaram com os preços nas nuvens. A consequência imediata destes fatos foi o mercado encolher, ficar na retranca, sem saber o que fazer. Incerteza e insegurança passaram a ser a companheira de todas as horas, motivando uma estagnação no sistema produtivo e restringindo o consumo. Logo depois dos resultados da eleição o mercado passou a viver um novo momento, sem agitação e com boas perspectivas de mais segurança no futuro.

Momentos
Com base no Boletim Focus do Banco Central, que realiza uma pesquisa semanal com economistas das instituições financeiras, é bom ver os números em três dos principais momentos do ano e perceber a reação do mercado.

PIB

Apesar do ano difícil às esperanças era de que os números seriam melhores do que os de 2017. Segundo a pesquisa a economia brasileira deveria fechar o ano com um crescimento de 2,70% bastante superior a 1,1% do ano passado.

Para 2019 a expectativa era ainda maior 2,99%. Aqui o mercado estava muito otimista. Já no mês de julho, efeito greve dos caminhoneiros, veio o balde água fria e os números se alteraram ficando em 1,50% para o ano e 2,50% para 2019. Agora em novembro a queda de perspectivas continuou, sendo 1,39% para 2018 e 2,50% para 2019. É bom notar que do início do ano até agora os números de 2018 foram reduzidos em 50%, fruto de uma realidade que foi sendo absorvida no dia a dia. Para 2019 foi mantido o mesmo índice principalmente pelo desconhecimento do futuro, sendo este número um desejo. É bem possível que no fechamento do ano o crescimento do PIB fique ainda menor, algo em torno de 1,2%, bastante semelhante a 2017.

Inflação

No início do ano era esperada um IPCA de 3,95%, passando para 4,11% com a greve dos caminheiros s e agora voltou para o número inicial 3,94%. Em relação a 2019 os índices se alteraram de 4,25% em janeiro para 4,10% em julho e 4,12% em novembro. É possível que este ano feche com um índice abaixo dos 4% por efeito na redução no consumo. No caso da inflação o mercado confirma a aposta inicial.

Dólar e Selic

Em janeiro o mercado estimava um dólar a R$ 3,34 e aí veio da greve dos caminheiros, a insegurança das eleições, mas as projeções ficaram um pouco acima, ou seja R$ 3,70. Hoje as apostas ficam nos mesmos R$ 3,70. Para 2019 a cotação também deve ficar em torno dos R$ 3,70. A taxa de juro iniciou o ano em 6,75% em julho ficou em 6,50%. Para 2019 o mercado prevê aumento saindo de 8% fechando em 7,75%.

Inicio e fim

Com a visão dos números e momentos é possível afirmar que a pesquisa do Banco Central, mesmo considerando algumas variáveis imprevistas, deve fechar o ano dentro da visão inicial, fugindo apenas o crescimento da economia que foi reduzido em 50%. A pergunta de hoje é: como vai ser o 2019? Por enquanto somente existem nomes do novo grupo do poder, faltando propostas e ações que possibilitem a prospecção de novos cenários. Talvez no início do ano seja possível projetar índices com maior certeza. Até lá é ficar antenado, lendo, ouvindo e pesquisando. Como vai iniciar o janeiro?

Pense

A distância entre o sonho e a conquista chama-se atitude.

Harri Gervásio
Economista