Banho-Maria
Por mais que queiram admitir que o tempo continue andando, em algum aspecto ele está parado ou se deslocando lentamente como se estivesse moribundo. Este é o sentimento no setor de investimento que venham do exterior. Ninguém se atreve a ultimar projetos ou até mesmo realizar os já desenvolvidos. Hoje o potencial do Brasil é grande para receber valores e negócios, mas a maioria está na retranca em função da indefinição política.

Ninguém sabe o provável resultado das eleições ainda é desconhecido as ideias e propostas dos que estão chegando ao poder, tornam os rumos incertos. Na incerteza o melhor a fazer é ficar na espera. Internamente o sentimento é o mesmo. A produção utiliza o disponível, capacidade ociosa ainda resultado da recessão, evitando planos sobre novas linhas ou aumento de capacidade. O consumo doméstico continua contido, no limite, comprando unicamente o necessário evitando aventuras, fugindo de realizar novas dívidas, pois ninguém sabe os rumos do emprego.

Em outros tempos, nesta época do ano, muitos já se atreviam a programar férias, fixando roteiros e até fazendo reservas. Hoje esta discussão está proibida. Com este cenário a conjuntura econômica fica paralisada, em marcha lenta e aí os prejuízos no médio e longo prazo podem ser considerados. A queda nos investimentos e a letargia do consumo retarda o crescimento econômico, que fica calcado apenas na esperança e no otimismo. Pelo que se vê este ano vai acabar em banho-maria.

Atualizando
O Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central, foi instituído em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros, visando facilitar o processo decisório, a comunicação e a transparência com o público em geral. Ao final de cada trimestre é publicado o Relatório de Inflação, detalhando a conjuntura econômica e financeira, fazendo projeções para a taxa de inflação.

Nesta semana foi divulgada a ata do último encontro que esboça os cenários futuros. Estes dados são importantes para balizar alguns indicadores para o terceiro trimestre do ano, bem como pintar os rumos futuros de alguns agregados econômicos. A taxa Selic ficou mais uma vez em mantida em 6,5% e numa situação estável da inflação dentro da meta de 2018 e 2019, inexiste necessidade de aumento nos juros. Fica claro que os juros futuros dependem do comportamento da inflação que esta estabilizada, baixa, mas… Segundo eles, apesar da inflação de junho ter atingido 1,26% devido o efeito da greve dos caminheiros e sem perspectivas de novos choques, fica mantida as projeções de inflação dentro da meta, sendo 4,2% para este ano e 3,8% para 2019.

Outro dado significativo é a projeção do câmbio que calcula o dólar em R$ 3,75 até o fechamento do ano. A ata menciona novamente a necessidade da aprovação das reformas, principalmente a fiscal para que se mantenha uma inflação baixa, uma política monetária estável e uma reduzida taxa de juro. Também foi feita a menção de que a economia brasileira ainda opera com baixos índices de utilização de capacidade instalada. Importante nesta ata a ressalva da necessidade das reformas estruturais para que em 2019 os cenários possam ser mantidos favoráveis. Após a eleição nova ata com mais projeções.

Mercado
Segundo pesquisa semanal do BC, Boletim Focus, que ouve uma centena de economistas ligados ao mercado financeiro, à taxa Selic deve fechar o ano em 6,5% o que vem ao encontro da previsão trimestral do Copom. Em 2019 o juro deve subir para 8%. Em relação à inflação o mercado prevê 4,11% para este ano e 4,10% para o ano seguinte, ambas abaixo do centro da meta de 4,25%.

Para o crescimento da economia a pesquisa aponta crescimento do PIB de 1,50% para este ano e 2,50% para 2019. É bom que seja dito que estes números previstos pelo mercado se assemelham aos projetados pelo Ministério do Planejamento. Ao que tudo indica os resultados para este ano estão cada vez mais claros, inflação alta, mas contida e a economia com crescimento baixo, pouco acima de 2017.

A grande expectativa é para o ano de 2019 que deverá ter novos nomes tanto no executivo como no legislativo. Quais são as suas pretensões, o que vai ser feito, como vão ser abordadas e definidas as reformas? Poucos se atrevem a desenhar os cenários futuros. Só resta esperar e rezar para que este ano, que esta se arrastando, acabe o mais depressa possível.

Pense
Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que sua falta seja sentida.

Harri Goulart Gervásio
Economista