Bom, mas nem tanto
Cada dado econômico que surge permite olhar para frente e até entender o momento presente. Os últimos divulgados pelo Banco Central permitem uma analise do que pode acontecer este ano. Segundo o BC a economia brasileira no mês de janeiro teve um recuo de 0,56% em relação a dezembro. As apostas dos especialistas apontavam uma queda de 0,80%, portanto ficou melhor do que o esperado.

Quando a comparação é feita com janeiro de 2017, a situação muda, pois soma um desempenho positivo de mais 2,97%. O IBC-Br é usado pelos economistas como uma prévia do PIB que é atualizado pelo IBGE a cada três meses. Um dado importante nesta divulgação foi o desempenho da indústria que caiu 2,4% em janeiro em relação a dezembro, mas cresceu 5,7% quando comparado com janeiro de 2017.

Também os dados do comércio varejista foram animadores tendo as vendas no varejo aumentado 0,9% o mês de dezembro e 3,2% o igual mês do ano passado. Sem duvida nenhuma a indústria brasileira acordou e permite ter esperanças de um bom desempenho em 2018, pois o crescimento esperado é de 3,98% para o setor.

Os olhos já estão mais adiante e para 2019 é previsto um crescimento de 3% e em 2020 as apostas são de 2,50%. Se isto realmente acontecer às repercussões no emprego devem ser favoráveis acabando com um período triste de dispensa de mão de obra e falta de oferta de vagas. Inflação baixa significa menor corrosão da renda e aí o consumo deve continuar em expansão realimentando a máquina produtiva.

Partindo para a analise do trimestre móvel fechado em janeiro é possível perceber que o resultado foi positivo de 1,32% quando comparado com o período outubro/dezembro. Sempre que possível é conveniente fugir das analises de dados mensais, pois elas muitas vezes são inadequadas para fixação de tendências de médio e longo prazo. Uma coisa fica cada vez mais evidente, o país voltou a crescer e as expectativas futuras são de otimismo, mas todo o cuidado é pouco, pois isto deve ser um processo lento. Sair de um processo recessivo de mais de 30 meses é difícil e sofrido.

Hoje existe um fator que pode favorecer ou dificultar a chegada destes ventos favoráveis, são as eleições de outubro. Ninguém consegue prever os soluços e solavancos políticos que podem acontecer numa campanha, onde na briga por votos vale tudo. Depois das eleições a expectativa será nos rumos que serão traçados pelo novo grupo eleito. Na economia as tendências são positivas, mas os meios políticos encobrem qualquer possibilidade de certeza. Por enquanto o negócio é degustar o que esta a mesa sem saber qual é a sobremesa.

Todos queriam
Mesmo sem conhecimento em economia todos se atreviam a dar um pitaco sobre o juro brasileiro. É o mais alto do mundo! Assim é impossível sobreviver! É um grande absurdo! A culpa é do governo! Na verdade o juro é instrumento importante que pode favorecer o processo de crescimento econômico. Cabe ao governo, através do Banco Central estabelecer a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custodia), que serve para nortear o sistema financeiro. Esta taxa é usada nas negociações de títulos públicos e baliza as demais taxas no mercado.

Quando o governo reajusta a taxa para cima segura o excesso de demanda que pressiona os preços para cima, elevando a inflação, encarecendo o crédito e estimulando a poupança. No caso da redução da Selic, ocorre o barateamento do crédito, incentivando a produção e consequentemente o consumo. Neste caso a inflação fica mais livre. Pois é, agora a taxa Selic em 6,5%, esta no nível mais baixo desde que foi criada em 1986. É bom lembrar que em julho de 2015 ela estava cotada em 14,25%, perdendo, em 30 meses, quase oito pontos percentuais, uma queda de mais de 50%.

As informações são de que ainda terá mais queda. Com isso o governo pretende incentivar a produção e o consumo ativando o processo de crescimento da economia brasileira. Mas é bom levar em conta o juro real neste momento. Com uma inflação, IPCA, de 2,84% diminuindo da Selic de 6,50% o resultado é um juro real de 3,66% ao ano, ainda considerado uma taxa elevada. Mas para quem conviveu com valores muito mais altos isto já é um refresco. Resta saber se os investidores vão se sentir com coragem suficiente para investir.

Esta duvida se mantem, pois o momento é de incerteza principalmente no setor politico, com mudanças no poder provocada pelas eleições de outubro. É bem possível que os investimentos sejam retomados, mas com muito cuidado como quem carrega ovos. Outro fator que deve ser levado em conta é a ociosidade do parque fabril, que andava até bem pouco a 60% e aos poucos começa a ser reutilizada. Juro baixo ajuda, mas a prudência deve falar mais alto.

Pense
Um dia sem rir é um dia desperdiçado.

 

Economista Harri Goulart Gervásio
23.3.2018. Painel 533. Ano XIII.