Calote nos bancos
No ano de 2008 o mundo foi surpreendido pela crise americana que teve como principal componente a bolha do suprime. Os bancos emprestaram dinheiro no financiamento de imóveis para quem já estava sem condições de pagar e aí ficaram sem os recursos e tiveram que pegar de volta os bens já com desvalorização acentuada. Na verdade o mundo todo acabou pagando por este erro do mercado financeiro dos Estados Unidos. Por aqui o prolongamento da crise obrigou muita gente a deixar de pagar o financiamento imobiliário, tendo que devolver o bem. No ano passado só a Caixa colocou a venda mais de 28.000 imóveis retomados com um crescimento de 60% sobre o ano anterior. Em 2018 os números já se assemelham a 2017 indicando a ultrapassagem do ocorrido. A inadimplência vem aumentando tanto na Caixa Econômica como nos bancos privados e a tendência é que este quadro se mantenha. O que piora bastante a situação dos bancos é que estes imóveis retomados são colocados à venda com valores bastante depreciados e mesmo assim os negócios realizados são bastante pequenos, cerca de 50%. O estoque de imóveis retomados por parte dos bancos é grande e o que representa um custo elevado para o sistema. A posse destes tem gastos elevados, pois ficam de responsáveis arcando com despesas como impostos e manutenção. Os bons ventos que sopraram aqui no Brasil, com a economia apresentando números favoráveis, o otimismo batendo taxas elevadas, e com as facilidades oferecidas pelo setor financeiro, propiciou uma grande corrida nos negócios imobiliários. Aí veio a crise, diminuição na renda, desemprego eo sonho da casa própria desmoronou. Hoje a perda dos imóveis por falta de condições de arcar com as prestações é consequência da crise econômica que se abateu sobre o Brasil a partir de 2014. Tem aqueles que perderam os imóveis e tem outros que estão com os imóveis, verdadeiros micos, sem saber o que fazer com eles. Na verdade todos acabam, de uma ou de outra maneira, pagando a conta.

Quais são as perspectivas para o setor?
Em primeiro lugar o momento é de incerteza e insegurança sobre o futuro político do país e principalmente sobre os rumos da economia. Qual o grupo que assumirá o poder? Quais são os seus planos para a economia? Os eleitos terão sustentação política para realizar as reformas necessárias? Com este quadro poucos se animam a contratar, comprometendo a renda futura. Se tudo correr da melhor forma possível e o quadro político ficar definido e tranquilo e as decisões tomadas colaborar para que a economia volte a crescer retornando o otimismo, ainda assim será necessário certo tempo para o mercado desove o estoque existente, que hoje é considerável. Olhando para cá e para lá é possível afirmar que o setor imobiliário ainda deve patinar por uns bons anos. Como este é um setor que gera um volume grande de empregos e sempre no curto prazo, é provável que o governo se proponha a oferecer vantagens, investindo no setor. Resta saber se os recursos necessários estarão disponíveis e se os clientes estarão com mais confiança no sistema e dispostos a comprar. Hoje o governo esta sem bala na agulha, muito desacreditado e o mercado por si só está sem forças para bancar a conta. Talvez após a copa do mundo e quando surgirem às plataformas eleitorais seja possível ter um cenário futuro mais definido. Até lá fica tudo num compasso de espera.

Para cima e para baixo
Em momentos anteriores o mercado convivia com uma perspectiva de crescimento da economia, mesmo que pequeno, e uma inflação baixa e contida. O governo apostava as fichas num PIB de mais de 3% e uma inflação de 2%. O mercado sempre esteve mais pessimista falando num crescimento do produto em torno de 2% e a inflação chegando a 2,5%. Na penúltima previsão, o Banco Central calculava a economia crescendo a 2,6% mas, de repente, reduziu o desemprenho da economia para 1,6%. Dizem que a greve dos caminheiros levou um ponto percentual do PIB. Em termos de inflação os números já superam os 4% levando em conta também a paralisação de 11 dias no setor de transportes. O momento presente é de economia em queda e inflação aumentando. É possível que o 2018 venha fechar com um crescimento econômico semelhante a 2017, ou seja, 1% e a inflação muito próximo do centro da meta, 4,5%. No primeiro trimestre os números foram positivos, mas abaixo do esperado e no segundo a queda vai ser acentuada. Tomara que a coisa mude no segundo semestre alavancado pela vitamina das eleições. Senhores façam as suas apostas!

Pense
Não desperdice flores brincando de bem-me-quer.

Harri Goulart Gervásio
Economista