Cenários
Esta coluna tem como objetivo informar e analisar o momento atual e projetar situações futuras, sempre dentro do enfoque econômico. A greve dos caminhoneiros tem provocado alterações no dia a dia, com mudanças significativas no comportamento do mercado, mexendo com variáveis importantes na conjuntura econômica do país. É propósito aqui analisar estas alterações e vislumbrar horizontes futuros.

Indústria
Por falta de insumos, superlotação de estoques e incapacidade de transportar os produtos acabados e até mesmo escassez de combustíveis para logística o setor esta paralisado. Aqueles que ainda se mantem em atividades tem poucas perspectivas de prosseguimento. A saída no momento é dar férias coletivas até que existam melhores condições de produzir. Em que condições vai acontecer esta volta? Como vão ser absorvidos os prejuízos? Em que setores vão ser feitos cortes? Como o mercado vai responder no futuro? O setor industrial estava começando a produzir, mesmo que fosse num ritmo mais lento. E agora? No curto prazo além de curar as feridas internas, é certo supor um encolhimento do mercado. Aquilo que já era pouco vai diminuir.

Comércio
A realidade expõe um desabastecimento generalizado, mercadorias que deixam de chegar, fazendo com que o estoque seja dia a dia menor. Sem estoque inexistem vendas e ai a receita fica prejudicada. Setores outros como moveis, roupas, eletrodomésticos, ou seja, linha dura, fica na espera de consumidores, preocupados apenas com os itens de subsistência.

Serviços
Este setor responde com a maior participação do PIB, mas é dependente de outros. São serviços de transporte paralisados, bares e restaurantes sem produtos, serviços em geral que estão paralisados na falta de logística ou até mesmo de clientes. A população precisa muito deste setor, pois é ele que satisfaz grande parte das necessidades. Tudo parado ou parando.

Agronegócio
O prejuízo até agora é enorme e preocupante. São insumos que deixam de chegar, produtos estragando por falta de transporte, aves e animais morrendo por falta de alimentos, exportações que ficam paralisadas. Preocupante é que depois que tudo voltar ao normal existe um hiato para que a produção seja refeita e aí o mercado vai sentir o baque.

Setor público
Em primeiro lugar toda esta paralisia se refletirá numa menor arrecadação afetando diretamente os orçamentos pelo lado da receita. No lado da despesa, todas estas concessões aumentarão as despesas publicas. O equilíbrio orçamentário deverá ser feito ou por corte de despesas ou por aumento de impostos. Nos dois casos a população vai pagar a conta com mais impostos ou por menos investimentos o que significa menos emprego e renda.

Produto Interno Bruto
O governo apostava num crescimento de 2,5%, elevado, sendo mais correto algo em torno de 2%, que é o dobro de 2017. Hoje, com a situação presente, é provável que as previsões busquem repetir o acontecido no ano passado, ou seja, 1%, uma queda significativa. O grau de incerteza e insegurança vai travar ainda mais os já escassos investimentos.

Inflação
A vitória contra a inflação era festejada, mas agora, com o desabastecimento é certo que os preços serão elevados, fazendo com que os índices subam. È rezar para que fique menor que o centro da meta, 4,5%.

Juro
O sonho do juro baixo esta com os dias contados, pois com o aumento da inflação, para conte-lo, o governo será forçado a voltar a elevar o índice. Taxa Selic com tendência de alta.

Emprego
Os números atuais insistem em na estagnação na oferta de vagas, fazendo o contingente de desempregados continuar elevado. Agora, com tudo que foi descrito, a tendência é de que este indicador se movimente e para cima, ou seja, o numero de desempregados deve aumentar.

Consumo
O quadro atual e o cenário futuro estão a indicar que todos vão estar mais prudentes na hora de consumir, buscando somente o essencial. Queda no consumo é aquela variável que pode impactar mais no crescimento econômico. É provável a volta da palavra crise. Todos nós vamos ser chamados para pagar esta conta. Hoje o que está à mostra é apenas a ponta do iceberg!

Pense
A cada dia faça algo que te deixe feliz.

Harri Gervásio
Economista