Pessimismo
Além dos números do dia a dia é importante saber os sentimentosdos brasileiros para bem entender a real situação da economia brasileira. Periodicamente a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e o SPC Brasil realizam pesquisa que busca avaliar a disposição dos consumidores e, o último revelou o maior nível de pessimismo do ano, sendo que 84% julgaram que o cenário atual é ruim ou muito ruim. Os motivos citados são o grande número de desempregados,o aumento de preços e os juros elevados.

No caso da indústria segundo o IBGE, o Índice de Confiança é o menor desde novembro de 2017. Os empresários estão insatisfeitos com o momento presente. Fica claro que o momento é muito semelhante ao período mais agudo da última crise quando da recessão. Para reverter este quadro é necessário uma retomada vigorosa da economia, aquecendo o mercado de trabalho e melhorando a confiança de melhor futuro. Pelo que se vê existem poucas possibilidades de que no curto prazo o pessimismo seja derrotado!

Endividados
Outro dado que assusta é o grande contingente de inadimplentes do Brasil. O SPC diz que hoje cerca de 64 milhões de brasileiros estão com dívidas em atraso, número semelhante à população da Itália. O pior é que este número voltou a crescer com a reversão de expectativa no crescimento da economia. Parecia que ia, mas acabou em frustação, pois o rítmo esperado ficou apenas na perspectiva. Neste momento de aperto as contas básicas como água, luz e telefone são as primeiras que deixam de ser pagas.

A inadimplência com o sistema financeiro também cresceu e o sonho da casa própria virou pesadelo, pois sem condições de pagar as prestações do financiamento, a instituição retoma o imóvel. Este imóvel é ofertado para o mercado, mas mesmo com 80% de desconto no preço final, fica na prateleira, pois os compradores estão ariscos, sendo que o número de negócios realizados fica muito aquém da expectativa. O pessimismo, o endividamento e a falta de confiança estão afetando diretamente o consumo que é fundamental no bom funcionamento do processo econômico. Como reverter este quadro?

Que Brasil você quer no futuro?
Deixando de lado os apontamentos pessoais, de norte a sul o choro é o mesmo: mais saúde, educação, segurança e menos corrupção. A pesquisa da Rede Globo esta sendo importante para que todos vejamque os desejos são os mesmo e que os problemas são iguais e existem independentemente da região, clima e situação geográfica. Com certeza ninguém os desconhecia, mas deixaram de serem solucionados devidoà complexidade, erros de gestão e falta de prioridades. Nesta hora que antecede as eleições é improvável que os candidatos estejam propondo soluções viáveis. É mais fácil acreditar que busquem retóricas mais amenas e convincentes, propostas inviáveis, indecentes e muitos devaneios, na tentativa de engambelar o eleitor. É a hora do canto da sereia. Cuidado, escolha o que ouvir!

Falar é fácil

Faltando apenas 40 dias para as eleições é hora de resolver todos os problemas brasileiros que estão aí há décadas desafiando os ungidos de poder. Falar é muito fácil, soluções milagrosas aparecem como num passe de mágica, menosprezando a inteligência do eleitor. De um lado a agressão ao concorrente considerado como inimigo, onde o único objetivo é a destruição da sua candidatura. Quase todos vão propor grandes investimentos públicos, obras, melhoramentos na infraestrutura, construção civil, etc, mas nenhum vai dizer de onde sairão os recursos necessários, que hoje inexistem. A

s reformas da previdência e fiscal e outras necessárias vão ser cantadas em verso e em prosa, mas esquecem de que para a sua aprovação dependem do poder legislativo que trabalha com objetivos pessoais e coorporativos, impedindo quase sempre a materialização destas. Será que terão maioria na hora da votação? O que será necessário distribuir para conseguir os apoios? Na verdade o poder executivo, hoje, é refém do legislativo, por isso muito do que é planejado e proposto fica apenas na retórica.

Todos sabem que é necessário diminuir o tamanho do Estado, privatizando ou abrindo mão de setores e empresas que devem passar para as mãos da iniciativa privada, pois esta é melhor gestora. Mas aí, na hora H, muitos vão perder seus cargos, benesses e ver seus apadrinhados sem emprego, ficando com a alternativa de deixar como está. Diminuir tributos? Se hoje as despesas já estão maiores do que as receitas como vão abrir mão de impostos? Será que vai surgir alguém forte capaz de pensar no Brasil, propor sugestões viáveis e conseguir apoio legislativo para as mudanças? Esta é a grande pergunta que está presente no dia a dia do brasileiro. Será que esta pessoa existe?

Pense

Não demore muito para perceber que é preciso pouco para ser feliz.


Economista Harri Goulart Gervásio

harriconfia@farrapo.com.br
Painel 552 – Ano XIIl