Painel 490 – Ano XI

Feliz Ano Novo!
Todos dizem que do Natal ao Carnaval nada acontece. Neste período tem aqueles que estão chegando e outros estão saindo, todos despreocupados com o momento presente, pensando de longe num futuro que esta por chegar. Tirando os setores ligados ao turismo os outros vivem um marasmo de dar dó. Até no setor politico as coisas andam quase parando a espera da volta a normalidade.

É mas agora chega, é hora de arregaçar as mangas e enfrentar as feras de frente, pois todas as desculpas possíveis já foram dadas e inventadas e a realidade insiste em se fazer presente. Qual é a minha situação presente? Como esta o meu negócio? O que deve ser melhorado? Quais os pecados cometidos que devem ser evitados? Quais são as perspectivas para 2017, vai ser melhor do que 2016 ou pior? Sempre no inicio de ano as incertezas são enormes, pois o cenário futuro é desconhecido.

É salutar que todos estejam preocupados em analisar tanto a situação atual e também entender o que pode acontecer no futuro tanto no curto prazo como no médio e longo. Infelizmente a situação politica e econômica do Brasil da poucos indicativos claros do que pode acontecer e os caminhos que deverão ser percorridos. Para evitar grandes erros e enganos o mais razoável é planejar o 2017 a semelhança do 2016.
Vamos lá! Feliz Ano Novo.

Olhando o umbigo.
O governo chinês anunciou as previsões econômicas para 2017 e fechou com aquilo que era esperado. O PIB vai continuar caindo! Em 2015 foi de 6,9% em 2016 chegou a 6,7% e agora a indicação é de 6,5% o menor crescimento dos últimos 26 anos. O objetivo é fazer o país passar de um modelo exportador para focar nos serviços e consumo interno incentivando o emprego nas áreas urbanas.

Enquanto o presidente Trump continua acusando a China de roubar os empregos americanos o primeiro ministro da China diz que a globalização econômica é fundamental para todos os países e garante manter o intercâmbio multilateral. O que antes era uma certeza, hoje com os ventos nacionalistas de Tio Sam o assunto globalização passa a ser discutido e repensado. Olhar o umbigo virou moda!
Atoleiro.

Realmente o Brasil é um país de contrastes. A supersafra de grãos esta sendo cantada em versos e em prosas, mas logo ali surge um problema que vai engolir parte da produção. No exato momento que a soja esta sendo colhida, no Para e vizinhanças, a chuva provoca um atoleiro que paralisa o transito em várias rodovias, fazendo com que parte da safra seja perdida.

Fica difícil de admitir que o governo sabendo da existência deste problema tenha se furtado a resolver ou pelo menos minimizar o que todo o mundo sabia que ia acontecer, pois a estação das chuvas é determinada e a situação das estradas são conhecidas. Se for impossível o asfaltamento imediato pelo menos um escascalhamento daria condições mínimas de transito. Quanto da colheita brasileira é desperdiçada? Realmente produzir neste país fica cada vez mais difícil.

O tombo foi feio!

Muitas eram as projeções sobre os números da economia de 2016 e todas elas indicavam que a recessão continuava. Agora o IBGE revelou os números oficiais indicando uma queda no PIB de -3,6% pouco abaixo de 2015 que foi -3,8%. Na soma a economia brasileira encolheu 7,4%.

Considerando os trimestres negativos a partir de 2014, foram onze com queda consecutiva, perfazendo -9,1%, o pior resultado desde 1948 quando a serie começou a ser calculada pelo IBGE. Em 2016 todos os setores tiveram queda: indústria -3,8%; serviços -2,7%; agropecuária -6,6% e governo -0,6%. O valor do Produto Interno Bruto do Brasil é o mesmo de 2010, ou seja andamos seis anos para trás. Lembrem que em 2010 o PIB cresceu 7,5% e a euforia tomava conta de todos. Agora é choro e ranger de dentes. Baita mudança em tão pouco tempo!

Fica cada vez mais evidente o tamanho da crise brasileira e principalmente as barreiras a serem derrubadas para mudar este cenário de dificuldades. É certo que inverter um quadro tão profundo vai necessitar de medidas eficazes e de médio e longo prazo, ofuscando os resultados no curto prazo. Alguns afirmam que a recessão deverá continuar até a metade do ano cujo resultado será algo próximo de zero.

Outros dizem que o quadro muda e os números positivos de 2017 serão superiores a 1%. Acredito que somente após desfeito o nó politico será possível ter uma noção clara para onde vamos. Enquanto isto calma e muita canja de galinha.

Pense.

Viver é desenhar sem borracha.

Harri Goulart Gervásio
Economista
harriconfia@farrapo.com.br