Painel 495 – Ano XI
Enterrando e desenterrando garrafas
Desde muito tempo o mundo discute a presença de governos e governantes totalitários que mandam e desmandam em tudo. São duas grandes ideologias, as que entendem que o poder tem que ficar na mão do Estado e outras que acham que a iniciativa privada pode mais. O mundo então ficou dividido em dois grandes blocos ideológicos, os comunistas e os democratas. Os da esquerda tem como base a força militar que dita às regras e o governo é o dono de tudo, onde os cidadãos apenas prestam serviços.

Recebem pelo seu trabalho, dispõe de moradia e outros serviços, mas ficam longe do poder. Ainda hoje existem países que adotam este regime, mas até estes já foram abrandados. China e Rússia já aceitam a participação de empresas no dia a dia, significando uma abertura no sentido da democratização da economia, mas o poder permanece nas mãos de um seleto grupo de agentes de apenas um partido que se revezam no poder. No outro lado estão aqueles que apregoam a democracia, onde o povo escolhe os seus governantes e as empresas constituem a parte mais importante do sistema econômico. Na verdade tudo foi sendo modificado, frutificando as leis de mercado, buscando adaptações, fugindo de posições definitivas.

Com a crise econômica de 1929, onde a iniciativa privada foi dizimada o governo se viu na obrigação de incentivar a criação de emprego e renda. As estórias de economia contam que na dificuldade o governo contratou um grupo de pessoas para enterrar garrafas e logo depois empregou outro para desenterrar estas garrafas num claro objetivo de gerar emprego e consequentemente renda. Sem duvida nenhuma o poder público é muito importante principalmente nos momentos de grandes dificuldades econômicas, mas com o devido cuidado de deixar o setor privado respirar.

O tamanho do setor público
Hoje a grande discussão é sobre tamanho do setor público, onde deve estar e espaços que devem ser ocupados pela iniciativa privada. Com a desculpa de auxiliar e impulsionar a economia, aos poucos os governos foram absorvendo atividades, pois viam aí a possibilidade de também dispor de cargos para nomear pessoas fortalecendo o grupo de sustentação e aumentando o apoio de votos. Surgiram empresas com maioria de capital público, fundações, autarquias, etc, transformando os governos no grande investidor. Como neste caso os gestores são escolhidos pelos partidos, políticos passaram a comandar e na sua grande maioria estavam despreparados para uma gestão profissional, que hoje é exigida.

São empresas e estão super inchadas, cabides de emprego, com resultados econômicos desastrosos. Exemplo claro é o desespero dos governos em se desfazerem de negócios que fugiram ao seu controle, pedindo por amor de Deus que surjam investidores privados dispostos a abraçar estes negócios. São portos, aeroportos, estradas, empresas, tudo em oferta, uma verdadeira liquidação. Qual deve ser o tamanho do setor público? Esta claro que o melhor seria absorver apenas aqueles setores com características próprias e estratégicas como saúde, educação, segurança, etc se livrando de tudo aquilo que a inciativa privada possa fazer de forma mais eficiente.

Hoje o movimento no Brasil é neste sentido, mas o corporativismo esta fazendo força para que a situação continue como esta. A iniciativa privada deve ser fortalecida e incentivada a assumir o timão da economia, diluindo gradativamente o tamanho do setor publico. Achar o meio termo é uma tarefa difícil, mas necessita ser trabalhada, para o desempenho saudável do sistema.

Piorar é ligeiro
A grande maioria afirma que o Brasil já chegou ao fundo do poço, e apesar de alguns indicadores favoráveis como inflação e juros em queda, bom comportamento da balança comercial e alguns soluços positivos do setor industrial, nada indicam que, no curto prazo, o cenário de recuperação econômica vai acontecer. As dificuldades do governo em conter o déficit público e as projeções negativas nos cenários futuros somados as dificuldades de aprovar as reformas puxam as estimativas para baixo. Em economia piorar uma determinada situação é fácil, mas é muito difícil consertar ou melhorar aquilo que esta ruim.

O tempo esta passando rapidamente, o segundo semestre esta logo ali e sobra apenas a aposta em melhoras, vitaminando as esperanças. Ao que parece já encontraram o rapaz encarregado de acender a luz no fim do túnel, faltando saber se a energia esta disponível e acionar o interruptor. A expectativa é grande!

Pense
O homem só envelhece quando os lamentos substituem os seus sonhos.
14.04.2017