Select Page

Informação de Confiança – Mais gestão e menos politicagem – Harri Gervásio

Informação de Confiança – Mais gestão e menos politicagem – Harri Gervásio

Mais gestão e menos politicagem

Muitas vezes o comentarista retorna a determinados assuntos principalmente pela sua importância. Este é um momento decisivo para discutir o setor publico e principalmente como a politica é feita. Antigamente as campanhas eleitorais eram através do corpo a corpo, visitas, comícios e reuniões com comunidades e os comprometimentos eram menores. Hoje tudo é feito principalmente na mídia, tudo pago, trabalhos técnicos de dar inveja. Valores são disponibilizados para grupos e setores na busca do voto. Depois de eleitos vem à distribuição de cargos e empregos. E aí o setor público foi criando empresas e negócios com objetivo de ajeitar a sua turma. Então surgiu este monstro que se chama setor público, incapaz de ser governado devido a interesses maiores e coorporativos.

Todos sabem que a saída é diminuir de tamanho repassando parte para a iniciativa privada que vai administrar com mais eficiência. Com isto os governos vão se preocupar com o que é importante, administrando setores essenciais. Mas mesmo querendo estão enfrentando obstáculos, pois ninguém quer perder a boquinha. O governo federal tem maneiras de tapar os buracos bastando emitir títulos e buscar dinheiro no mercado, claro que isto aumenta a divida, mas é saída. Já para estados e municípios resta cortar, diminuir. Menos secretarias, menos gastos, menos pessoal, menos tudo porque aquela fase de dinheiro fácil acabou. Hoje os gestores têm que ser mais técnicos e menos políticos, mesmo que a reeleição fique a perigo.

Administrar recursos escassos é uma ciência que poucos estão preparados, mas uma assessoria responsável e sábia pode ajudar. Ao invés de contratar o amigo ou o apoiador busque alguém com conhecimento especifico naquelas áreas importantes. Hoje a única forma de sair deste atoleiro é através de uma gestão eficiente sem medo de tomar decisões impopulares. Os gestores de hoje terão poucas chances de reeleição devido a medidas que serão forçados a tomar. É preciso coragem e desapego ao poder, pensando apenas no que é melhor para o todo. Hoje estados e municípios estão classificados em duas situações aqueles que estão quebrados e os que vão quebrar. Saída? Mais gestão técnica e menos politicagem!

Desenvolvimento e educação
É conhecido que o processo de desenvolvimento tem como principal apoio a educação. Inexiste possibilidade de um país alcançar o desenvolvimento se o nível de educação for baixo. Todos que investiram maciçamente nesta área tiveram bons resultados. Tem alguns que perceberam esta necessidade, mas vão empurrando com a barriga, atendendo outras prioridades que para eles são mais importantes e aí o país fica fazendo o voo da galinha curto e descontinuo.

Na realidade é isto que acontece no Brasil, que nunca definiu a educação como prioridade ou pelo menos, os recursos ali aplicados ficam longe do necessário. Muitas vezes as estatísticas oficiais trazem dados positivos, mas quando o assunto é tratado por organismos internacionais e a comparação é feita com outros países a realidade é bem diferente. É conhecido que quanto maior o nível de educação e cultura de um povo maior as chances do progresso tecnológico, com grande potencial de mão de obra qualificada, que é definitivo na atração de investimentos fazendo a máquina do desenvolvimento girar.

Os últimos dados em relação à educação, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento, que traz amplo panorama da educação em mais de 45 países, aponta o Brasil com sérios problemas, índices sempre abaixo da média, insatisfatórios para o sonho do desenvolvimento.

Alguns números
Por aqui alunos entre 15 e 17 anos, apenas 57% estão no ensino médio enquanto que nos países da OCDE a média fica em 90%. Enquanto no Brasil se investe em aluno/ano R$ 12.000,00 nos países membros da OCDE chega a R$ 31.000,00. No ensino infantil, apesar de o Brasil já ter conseguido colocar quase todas as crianças de 5 e 6 anos na escola os números da assistência a crianças menores estão abaixo do esperado. No ensino superior dos brasileiros entre 25 a 34 anos apenas 15% estão neste patamar enquanto nos países pesquisados este índice chega a 37%. Outro dado que chama a atenção na pesquisa é a valorização do professor.

Os docentes daqui recebem por ano cerca de R$ 40.000,00 enquanto que a média dos outros países fica em R$ 92.000,00. O desinteresse pela docência fica cada vez mais claro. Como mudar estes números? É um problema que desafia os administradores brasileiros há décadas e sem resultados conhecidos, mas é usado em verso e em prosa na hora de buscar voto. Que país é este? Dizem que quanto mais pobre e sem instrução é um povo mais fácil fica este ser manobrado. Isso é bem antigo, mas vendo tudo como acontece bate certa curiosidade em analisar tal assertiva. Será?

Pense
Uma mentira pode salvar o teu presente, mas condena o teu futuro.
Harri Gervásio
Economista

 

29-09-2017. Painel 518. Ano XIII

Sobre o(a) Autor(a)

Já nas bancas

Curta nossa página

Publicidade

Publicidade