Painel 538. Ano XIII. 27-04-2018

Pão e circo
A politica do pão e circo era como os romanos lideravam a população, isso lá pelos idos do ano 100 d.C. Eles sabiam que a maioria da população tinha pouco interesse pela politica e somente se preocupava com alimentação e divertimento. O desenvolvimento do Império Romano atraiu grande contingente de pessoas em busca de uma vida melhor. Na grande maioria pessoas humildes com pouca instrução que se fixaram na periferia urbana com baixíssima infraestrutura para uma vida digna. Os empregos disponíveis para esta classe era braçal e de baixa remuneração. Estes ingredientes eram um estopim para surgimento de revoltas e manifestações. Visando conter estes movimentos eram distribuídos alimentos, cereais, e proporcionado espetáculos em arenas o que deixava a população alimentada e feliz.

Os problemas mais sérios passavam despercebidos e o imperador via, dia a dia, a sua popularidade aumentada. É relato de uma forma de liderar bastante antiga, mas que até hoje ainda se vê resquícios de uso para a sustentação do poder. A administração populista investe na premiação e favorecimento da classe menos privilegiada e normalmente mais numérica na hora do voto. Nesta a manipulação é mais fácil! São as BOLSAS, doações, ajudas, que ficam sem a necessidade de retorno. Claro que num primeiro momento coloca mais dinheiro em circulação, incentivando o consumo, melhorando o padrão de vida da classe, mas traz certa acomodação. “Trabalhar pra que?” É necessário que numa segunda fase os valores sejam direcionados para a produção, pois é esta que vai criar dinamismo na geração de emprego e renda.

De certa forma, no inicio dos anos 2000, o Brasil conviveu com certos aspectos deste cenário, mas faltou a segunda etapa, mudando o foco para a infraestrutura e produção. A luta pela manutenção do poder falou mais forte! Somente a politica do pão e circo é incapaz de promover um processo de desenvolvimento sustentável numa nação.

É hora dos mágicos
De tempos em tempos os mágicos surgem com a técnica ilusionista apresentar soluções e resultados, mas nunca dizem como é feito, ou seja, o truque. Nos momentos que antecedem os pleitos eleitorais surgem candidatos que prometem resolver este ou aquele problema, muitas vezes sem saber o como vai ser feito ou até mesmo se vai ser feito. Mesmo distante de outubro alguns já se arriscam a prometer soluções de problemas cruciais da economia brasileira, que estão na pauta há muito tempo e nenhuma solução foi apresentada. É muito bom o ouvinte ou telespectador ter em mente e perguntar como aquilo será resolvido, de onde sairão os recursos e principalmente se ele terá sustentação politica para realizar tal façanha.

Claro que eles omitem entrar em detalhes talvez porque nem saibam o que pode ser feito, mas a promessa causa um impacto positivo e é isto que vale. Dizem que o negocio é ganhar a eleição, depois à gente da um jeito! Tenha certeza que estas eleições serão recheadas de Fake News e Fake Promise. Assim como é impróprio espalhar mentiras também o é fazer falsas promessas.

Todo cuidado é pouco para descobrir o que é joio e o que é trigo, bem que na politica o joio esta ganhando de goleada. Na verdade vencer uma eleição é mais fácil do que realizar uma gestão publica eficiente. Hoje o descrédito nos gestores públicos é enorme com tendência de crescimento. Cuidado com aqueles mágicos que chegam de paraquedas!

Insegurança jurídica
A insegurança jurídica no Brasil é um assunto cantado em verso e em prosa, principalmente por investidores estrangeiros. Muitos pensam e repensam e acabam desistindo de trazer os seus recursos para cá devido a mudança sistemática da legislação brasileira. O que hoje está estabelecido amanhã já é bem diferente e isto para uma empresa é um aspecto altamente negativo porque os investimentos são programados para o longo prazo e aí nada pode ser projetado e o grau de incerteza é muito grande. Um exemplo recente é a nova lei trabalhista que foi votada, promulgada e depois surgiu uma medida provisória regulamentando alguns aspectos que dariam mais segurança jurídica, segundo os especialistas.

A MP venceu, perdeu o valor, e tudo voltou à letra fria da lei. E agora, como fica tudo que foi acertado durante o período de validade da medida provisória? Este é apenas um dos mandos e desmandos da legislação, sendo que um dia é aprovado e logo depois passa a ser proposto revisão e esta acontece alterando aquilo que foi estabelecido. Ministros que hoje votam de uma determinada maneira, amanhã alteram o seu entendimentos, mudam de opinião, cedendo a pressões e casuísmos. Como investir num país em que as leis se alteram de acordo com o humor e sabor dos que a julgam? Isto é Brasil!!!

Pense
Melhor viver um dia de leão do que cem anos de cordeiro.


Harri Gervásio

Economista