Pesquisas de opinião
Alguns têm duvidas sobre a veracidade das pesquisas de opinião, principalmente pelo pequeno numero de pessoas interrogadas levando em conta o total da população. Na verdade o calculo da amostra leva em conta o universo a ser pesquisado e é conhecimento cientifico determinado pela estatística. É um instrumento importante que continua sendo largamente utilizado, alimentando projeções e balizando iniciativas. Mesmo que os dados da economia sejam conhecidos e apontam crescimento para este ano, ainda existem duvidas sobre o numero final.

No fim de 2017 e principio de 2018 as projeções indicavam um crescimento de mais de 3% do PIB para este ano. O tempo foi passando e este número veio caindo sendo que hoje as apostas ficam próximos de 2,5% e com viés de baixa, ou seja, pode acabar em um resultado inferior a este. Mesmo que venha fechar em 2% já parece muito bom, pois significa o dobro do registrado em 2017.

Nas entrelinhas das apostas é possível perceber que as expectativas sobre os resultados das eleições de outubro estão desafiando o dia a dia dos analistas. As últimas pesquisas de intenção de voto, mesmo que sejam prematuras, estão a indicar que os candidatos que podem manter a mesma maneira de conduzir a economia estão colocados em posições desfavoráveis. Ou seja, hoje, segundo as pesquisas, existe uma posição mais favorável de vitória para aqueles que estão a desafiar o atual governo e as posições de continuidade nas diretrizes econômicas.

Com certeza esta fato trás um repensar no comportamento dos investimentos. São planos e projetos que ficarão em stand by, até que as coisas fiquem mais claras. Estas dúvidas somente serão esclarecidas após no ultimo trimestre do ano onde talvez os números da economia já sejam definitivos. Escutando daqui e dali, da para perceber que esta no ar um sentimento profundo de incerteza o que retrai consideravelmente tanto o investimento como o consumo.

Em certo momento a economia brasileira se mostrou um pouco desvinculada da crise politica, mas agora volta a acompanhar os passos do caminho do voto. É certo que o mercado viverá o dia a dia das pesquisas tentando antever o que pode acontecer em outubro com a preocupação de saber se o grupo que assumirá o poder terá capacidade politica de promover as alterações necessárias para que o país continue crescendo num ritmo saudável.

Na contramão da incerteza
Mesmo que as coisas ainda estejam obscuras sobre o futuro politico do Brasil, os últimos dados publicados pelo IPEA revelam que após 4 anos de encolhimento, o investimento promete apresentar sinais positivos neste ano. Acontece que mesmo que de forma ainda lenta a produção industrial começa a recuperar o terreno perdido, buscando os melhores momentos registrados em 2013. A capacidade ociosa, que ainda esta elevada, começa, pouco a pouco a ser consumida, vitaminando as expectativas futuras do mercado e permitindo um posicionamento favorável sobre novos investimentos.

É possível que isto esta ocorrendo principalmente devido um maior equilíbrio financeiro das empresas que se viram forçadas pela recessão a enxugar, reduzir dividas e reestruturar o seu negócio. A Fundação Getúlio Vargas esta dizendo que a propensão a investir, no primeiro trimestre do ano chegou ao nível mais alto desde 2013, o que significa que o desejo pode passar a ação nos próximos 12 meses. Claro que serão passos comedidos, mas já servem como indicativos favoráveis para um ano que se apresenta com cenários positivos de um lado e incerteza de outro. Com este quadro pintado é de esperar que os resultados sejam melhores do que 2017, mas aquém do desejável.

Mercado imobiliário
Todo mundo sabe que o mercado imobiliário tem grande importância na geração de emprego, sendo que as medidas tomadas tem reflexo imediato nos índices. No ano passado a Caixa reduziu a participação nos financiamentos de usados para 50% do bem e foi um balde de agua gelada em um mercado que estava se arrastando. Agora aumentou a participação para 70% e ainda por cima reduziu os juros para 9% ao ano.

No que se refere aos juros, esta taxa veio se aproximar dos operados, pois os seus estavam acima. É bem possível que no curto prazo fiquem abaixo dos 9%. Para o financiamento de usados a proporção de financiar 70% é bom e trará vitamina para o mercado. Acontece que o montante disponível para o financiamento habitacional na Caixa é pequeno e vem caindo sendo que em 2013 os recursos eram o dobro dos de hoje. As linhas estão lançadas agora é esperar que algum peixe de atreva a morder a isca. As incertezas politicas e econômicas serão entraves da corrida as compras e financiamentos. É uma boa noticia e significa que o governo esta preocupado com o crescimento e tenta aumentar vagas de emprego.

Pense
Povo que não tem virtude acaba por ser escravo!

 

Harri Goulart Gervásio
Economista