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Informação de Confiança – Polêmica – Economista Harri Goulart Gervásio

Informação de Confiança – Polêmica – Economista Harri Goulart Gervásio

Painel 572 – Ano XIV

Polêmica
Volta e meia surge polemicas sobre o aumento de preços dos combustíveis. Agora é a discussão se o aumento do óleo diesel deve acontecer ou se o preço deve ser mantido. Todos sabem a importância deste combustível e principalmente as repercussões das elevações de preço. Como o transporte rodoviário é o mais utilizado, o combustível é um insumo que interfere diretamente no preço do frete, pesando no custo dos produtos. A Petrobrás tem uma política de preço respaldada na cotação do petróleo a nível internacional que tem movimentos diários. A empresa vende seus produtos de acordo com o preço do dia, num sobe e desce constante. A incerteza faz com os consumidores destes produtos sejam incapazes de projetar custos no custo prazo.

Hoje com a diminuição da extração de petróleo no mundo visando adequar a oferta em relação a queda de demanda, o ouro negro tem apresentado movimentos de alta. Esta alta internacional é que reflete nos preços internos dos combustíveis. Como o Brasil tem séria dependência do transporte rodoviário, o choro destes é mais ouvido e o temor de nova paralisação faz com que o assunto seja discutido e a busca de soluções vira mania. E agora?

O governo e a economia
A participação e a importância dos governos na economia de um país e discutida e estudada a bastante tempo. Pensadores desenvolveram teorias que tentam demonstrar em números a maior ou menor intervenção e principalmente a repercussão destas ações. Nos governos socialistas o governo é senhor de tudo, manda e desmanda e a iniciativa privada cumpre exatamente as regras ditadas, com pouca autonomia. Como exemplo deste sistema pode ser citado a União Soviética e a China.

No outro lado da moeda fica os países capitalistas, que tem na inciativa privada a principal força da economia. Neste caso cabe ao Estado cumprir as funções básicas como saúde, educação, segurança, interferindo o mínimo possível no processo econômico. A iniciativa privada tem total comando da economia, onde pode ser citado os Estado Unidos.

Algumas teorias dizem que em determinados momentos é necessária à participação dos governos para cobrir lacunas deixadas pelo setor privado. Nas crises econômicas o setor público deve agir como propulsor do emprego, distribuidor de renda e até mesmo protetor das classes menor favorecidas, só que esta intervenção deve ser temporária. No Brasil, em gestões passadas, procurando favorecer parte da população, o governo impediu o aumento de alguns preços administrados, como energia elétrica, o que de um lado deixou contente a população, mas de outro provocou rombos enormes nas empresas responsáveis. Depois veio a conta, que saiu do bolso de todos.

Petrobrás ou caminhoneiros?
É hora de perguntar: O Governo deve intervir na Petrobrás na hora de fixar o preço do óleo diesel?
Caso interfira, como já interferiu, o setor de transporte vai ser beneficiado ficando sem aumento. No lado da Petrobrás a consequência é a venda de produto por preço abaixo do mercado, somando prejuízo, além de passar uma imagem de descrédito, derrubando as ações . Com a decisão do governo de trancar o último aumento, o prejuízo com a queda das ações foi de mais de R$ 32 bilhões. Atualmente o governo brasileiro esta passando para o mercado uma imagem de segurança, confiabilidade, cumpridor de leis e regras, apoio e confiança no setor privado, portanto estas interferências vão a sentido oposto. No ano passado o governo bancou por vários meses a diferença de preço do diesel, pagando a Petrobras para que inexistisse aumento. Na verdade quem pagou foi o povo. Agora vamos pagar novamente? E se outro setor gritar o governo, nós, vamos socorrê-lo? A verdade é uma só: inexiste almoço grátis!

O tombo da economia
Pela primeira vez desde 2016 a economia brasileira pode recuar no primeiro trimestre. Segundo o Bradesco a atividade econômica esta fraca com poucos sinais de retomada prevendo uma retração de 0,1% no PIB de janeiro a março. O Itaú diz que a queda no trimestre vai ser de 0,1% e que o ano deve encerrar com um PIB de 1,3%. Já o Fator projeta uma queda de 0,2% no trimestre observando um cenário de deterioração nos indicadores. O Banco Central, nesta semana, através do IBC-Br acusou uma queda de 0,73% de fevereiro em relação a janeiro o que corrobora os números pessimistas.

Todos citam a incerteza sobre a demora na aprovação da reforma da Previdência e mencionam a falta de investimentos, estagnação da indústria e baixa utilização da capacidade instalada. Agora todos se voltam para o segundo trimestre esperando melhores resultados porque se os negativos permanecerem, o ano estará comprometido. Atualmente a projeção do PIB para 2019 estima resultados semelhantes aos dois últimos ou seja, em torno de 1% o que é muito pouco. A estagnação econômica é realidade nua e crua.

Pense
Deus criou vários lugares bonitos porque sabia que muitos não teriam sorte no amor.

Harri Goulart Gervásio
Economista

harriconfia@farrapo.com.br

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