Painel 532. Ano XIII

 

Globalização em perigo
Uma das definições de globalização diz que é um processo de integração econômica, cultural,social e politica, gerado pela necessidade de conquistar novos mercados em decorrência da saturação destes. Historiadores afirmam que iniciou nos séculos XV e XVI, mas na verdade a intensificação deste processo se deu a partir dos anos 70. Esta liberdade de ir e virde produtos e pessoas ocasionou a formação de blocos como, por exemplo, a União Europeia.

Nos últimos tempos em função das crises pontuais de alguns países, estes resolveram adotar medidas protecionistas visando a defesa e preservação dos mesmos. Hoje este é um dos problemas que corrói o processo, fazendo com que o principio básico, a liberdade de comprar e vender, seja repensada. No comércio internacional a palavra mais correta é troca, pois para que algo seja vendido é necessário produtos a serem comprados. É uma via de duas pistas.

Acontece que em determinados casos é necessária à preservação de alguns setores importantes para o sistema como um todo, quer pelo produto, quer pelo emprego e principalmente pela sua importância no sistema econômico. Hoje o mundo discute assustado a medida adotada pelo Presidente Trump, de sobretaxar as importação de aço e alumínio visando preservar a indústria nacional.

Segundo eles isto significa a sobrevivência das suas indústrias e a preservação dos empregos. Alguns países como Canadá e México, aliados no Nafta, estão isentos, mas os outros terão que ir de chapéu na mão buscar facilidades com o Presidente americano. Esta claro que ele prefere acertos bilaterais, desprezando os globais, confiando no seu taco, sustentado pelo status de maior potencia econômica e militar. Este fato vai provocar retaliações comerciais, dificultando a entrada de produtos americanos em países atingidos pela medida. As variáveis estão lançadas para o inicio de uma guerra comercial onde todos sairão perdendo. A globalização começa ser repensada.

Prejuízo para o Brasil
Se a taxação de 25% sobre o aço for confirmada e o Brasil falhar na obtenção da isenção o prejuízo vai ser enorme porque os americanos são responsáveis por mais de 30% das exportações do aço brasileiro. Onde colocar este excedente? Como encontrar novo comprador? Forçar a venda para o mercado interno? No externo a venda vai ter que ser fatiada porque será difícil encontrar um comprador para tamanha produção.

A primeira coisa que vai acontecer é uma queda na cotação internacional e aí as perdas serão expressivas. A escalada de retaliações aos produtos americanos será a consequência imediata sem saber onde isto levará. Este é o inicio de uma jornada que ninguém calcula as repercussões e nem quando terminará. O governo americano afirma que cada caso será tratado individualmente, tentando com isto levar vantagem nas negociações, pois o poderio do mercado consumidor deles é inquestionável e ninguém vai querer ficar longe deste comércio.É uma baita dor de cabeça para a OMC, Organização Mundial do Comercio, que vai ter que mediar muitos conflitos.Será que a OMC tem cacife para solucionar os impasses que surgirão? Qual será o custo final para o Brasil desta batalha que esta iniciando? É briga de cachorro grande!

Os dois lados da moeda
Em economia é bom entender que tudo tem dois lados. Quando o preço é baixo para o produtor é bom para o consumidor e assim por diante. No momento a expectativa é de que aconteça uma quebra na safra de grãos brasileira, sendo bastante acentuada no Rio Grande do Sul devido a estiagem. Na vizinha Argentina isto se repete com diminuição no volume colhido devido à seca.Se por um lado a oferta de grãos será menor por outro esta quebra fara com o preço dos cereais tenham maior cotação no mercado.Sem duvida a diminuição na oferta vai provocar impactos no mercado mundialfazendo com que o preço das comanditeis seja mais favorável do que na safra passada. O produtor que esta lamentando as perdas na lavoura, quando estiver vendendo o seu produto, ficara contente com valores colocado nos bolsos. É a velha e surrada lei da oferta e da procura que ainda permanece viva e dificilmente será revogada.

Cai novamente o preço da gasolina
Na semana passa o valor do litro da gasolina nas refinarias, sem tributos, caiu para R$ 1,5608 e agora novamente foi reduzido para R$ 1,5537, menos 0,45%. Na nova politica a Petrobras vai informar semanalmente o movimento de preços. Engraçado é que nos postos a queda é desconsiderada, mas quando existe aumento os preços finais são alterados. Isto é Brasil!

Pense
Olhe para as estrelas e não para seus pés.

 

Harri Goulart Gervásio
Economista
16.3.2018