Voltando
Após um período longe dos leitores esta coluna retorna mantendo o propósito de informar e comentar a atualidade econômica, sugerindo ações e prospectando cenários futuros. Praticamente após sessenta dias as perspectivas da economia brasileira poucas alterações tiveram.

A maior surpresa foi ver o brasileiro, de uma maneira geral, se sentir enganado, pois na sua leitura enxergava que tudo tinha passado e as melhoras começariam a aparecer como num passe de mágica. Parte da culpa é da mídia publica que pintava os cenários em tons promissores levando esperanças de que logo tudo estaria melhor. Claro que alguns descreviam a realidade, como esta coluna. Era certo que a recessão tinha acabado, mas dai até voltar a conviver com a prosperidade, vai uma grande distancia. É bom lembrar que após um grande incêndio é importante um bom período no rescaldo, cuidando para evitar que o fogo retorne. Assim deve ser entendido o momento da economia brasileira.

O crescimento esta acontecendo, mas de maneira muito lento, passo a passo, com todo o cuidado como quem carrega merengues, pois qualquer resvalada tudo pode ser destruído. A produção industrial aos poucos se aventura a aumentar a produção motivada pelas vendas externas e um tênue apoio do mercado interno que começa a acordar. Este é o setor dinâmico que pode sustentar um crescimento constante e duradouro, deixando de lado o conhecido voo da galinha de duração curto. O emprego com carteira assinada deixou de ser reduzido, mas apresenta morosidade no crescimento, pois o setor de serviços ainda se ressente do golpe.

Agora todo o cuidado é pouco, o planejamento deve ser minuciosamente elaborado para evitar contratempos. Evite dar o passo maior do que a perna sendo preferível ir devagar sem correr riscos. Vai melhorar? Sim, mas o que ninguém sabe é quando isto realmente vai acontecer. O período é mais expectativas do que certezas.

O que vem por aí?

Este ano de 2018 vai ser atípico, pois a economia vai ficar na carona da politica. Em períodos eleitorais os cenários, de uma maneira geral, ficam na esteira das campanhas, busca de votos, briga de foice. Claro que entra um bom volume de recursos oriundos dos candidatos que gastam o que tem e o que lhe dão.

Para os empresários é tempo de espera, pois ninguém sabe quem vai estar de posse da caneta nos próximos quatro anos e principalmente qual a facção politica que vai estar no poder. Pode ser o pessoal de centro, da esquerda ou da direita e aí o modo de pensar a agir muda bastante. Mesmo com a inflação contida, juros baixos e a economia começando a respirar nada podem ser assegurados. É bem possível que este ano acabe novamente com números positivos na economia e um pouco maiores do que o 2017, isto está desenhado, mas o incerto é o que virá em 2019 e anos seguintes.

Uma coisa é certa, o setor publico esta falido e seja qual for o vencedor das eleições, as reformas necessárias terão que serem efetivadas, leia-se reforma da previdência, reforma tributaria e principalmente venda de penduricalhos que só servem para aumentar o setor publico e dar votos. Claro que é difícil convencer os que atualmente são beneficiados, mas o setor público tem que diminuir de tamanho.

Resta ver o que eles vão dizer nas suas plataformas eleitorais, promessas de campanha, que muitas vezes ficam somente no discurso. Infelizmente numa hora que a economia precisava deslanchar vai ficar na espera dos novos cenários e com isto investimentos serão postergados e plano colocados em banho-maria. O ano de 2018 vai ser melhor do que 2017, mas seria muito melhor sem eleições. Muita atenção, pois vem aí o turbilhão de fake news!

PIB de 2017

Aquilo que era previsão começa a ser números definitivos em relação a economia brasileira. Recentemente a Fundação Getúlio Vargas divulgou os resultados do seu monitoramento do PIB e disse que o crescimento de 2017 foi de 1%. Claro que a comparação foi com 2016, que apresentou um numero negativo de mais de 3% e aí fica fácil, mas é um alivio reverter à curva. Enquanto o PIB oficial, do IBGE, esta sendo finalizado e será publicado no inicio de março, este já serve para confirmar as previsões de que a recessão acabou.

Segundo a FGV este resultado é devido ao excelente desempenho da agropecuária, a recuperação da indústria e o despertar dos serviços. Também foram decisivos o aumento do consumo das famílias e o bom desempenho das exportações. O melhor resultado foi na agropecuária com um crescimento de mais de 12%. Em relação aos números do IBGE estes deverão se aproximar muito dos aqui expostos.

Crescimento sim, mas tímido e nem poderia ser diferente, pois após dois anos de recessão com números negativos, a reversão é extremamente difícil e demorada. Apostas no crescimento são permitidas desde que de maneira contida. Ele virá sim, mas com passos comedidos.

Pense
Um homem começa a morrer no momento que ele desiste de aprender.

 

Economista Harri Gervásio
23.2.2018. Painel 529. Ano XIII