A mineração tem sido beneficiada com a inovação tecnológica em todas as etapas. Toda inovação no setor é fruto, não somente de novo formato de trabalho e de mercado, mas, também, derivada da busca de soluções que aperfeiçoem processos, reduzam custos de produção, aumentem a segurança funcional e, principalmente, minimizem impactos ao ambiente.

Quem indica estas boas novas no horizonte da área da mineração é o Professor Doutor Francisco Tognoli, que coordena o Curso de Geologia da Unisinos. Na mesma direção, aponta o coordenador do Curso de Engenharia de Controle e Automação da Unisinos, Prof. Dr. Rodrigo Marques de Figueiredo. Para ele, a inovação tecnológica vem para tornar processos produtivos e extrativistas mais eficientes. “No caso específico da mineração a descoberta de novas jazidas, pode ser facilitada, bem como sua análise de viabilidade (assistidas por sistemas de Inteligência Artificial) e processo de extração (Máquinas automatizadas ou autônomas)”.

Para se ter uma ideia de como o segmento da Mineração tem modificado seus processos, segundo resultados da Pintec 2014, divulgada pelo IBGE, a taxa de inovação do setor (entre 2012 e 2014) foi de 42%, o dobro da média das taxas dos cinco triênios anteriores. A Pintec é uma pesquisa de inovação, cujo objetivo é fornecer informações para a construção de indicadores das atividades de inovação das empresas brasileiras nos setores da indústria extrativista e de transformação, como também setores de Eletricidade e gás e de Serviços.

Segundo o Prof. Rodrigo isto é um sinal de que a mineração está em plena Quarta Revolução Industrial, ou ainda, a chamada indústria 4.0. Ele explica também, que o conceito varia de setor para setor, mas no caso da mineração o indicativo de evolução está permeado pela integração dos sistemas de tomada de dados, análise de grandes volumes de dados com sistemas de apoio ao geólogo, entre outros.

E o Professor Francisco complementa: “A Indústria 4.0 afetará a Mineração direta e profundamente com a incorporação definitiva e integrada do Geoposicionamento, da Automação e da Realidade Virtual em todas as etapas da cadeia produtiva”.

No que se refere ao meio ambiente, a tecnologia aparece em todos os níveis, desde minimizar volume do material movimentado na mina, assim como o de efluentes não aproveitados, e o consumo de água. “A tecnologia tem sido demandada para otimizar processos e reduzir custos de produção, que deriva diretamente da variação de preço, por vezes bruscas, das principais commodities minerais (ex.: petróleo, carvão mineral, etc.).” comenta Francisco.

Para ele o vínculo com a proteção ao ambiente é direto na medida em que uma caracterização detalhada dos jazimentos minerais condiciona toda a cadeia produtiva a partir do momento que o minério é extraído. “Isto envolve o controle da razão minério/estéril e, consequentemente, implica na quantidade de energia utilizada no processo industrial, na redução de emissões a partir da queima de combustíveis fósseis, na quantidade e tipo de efluente gerado e no monitoramento das pilhas ou bacias de rejeito (ex. barragens)” conclui Francisco.

Os últimos acontecimentos envolvendo acidentes na área da mineração mobilizaram atenção da imprensa e da comunidade e tornaram ainda mais necessários os estudos que relacionam inovação, tecnologia e mineração. Atualmente, se investe muito em pesquisa e na maneira como estes resultados serão aplicados, principalmente, para definir maior segurança na construção de novas barragens, ou na possível eliminação de uso delas. “A principal tendência na mineração hoje está voltada para a otimização dos processos de produção e beneficiamento de minério e incluem a integração entre Geoposicionamento, Controle e Automação e Realidade Virtual para assegurar redução de custos de produção, aumento da segurança funcional e proteção ao ambiente” observa o Prof. Francisco.

Apesar da carência de recursos para o setor de pesquisa brasileiro, e a falta de integração entre a pesquisa feita nas instituições científicas públicas e a prática da iniciativa privada, existe uma grande motivação para que se desenvolva com maior velocidade, visto que exemplos pelo mundo mostram os diversos benefícios que tecnologias como a nanotecnologia, a biomineração, a inteligência artificial e a IoT[1] tem trazido para todos os setores, inclusive para mineração.

A academia tem um importante papel nesta questão, já que não é possível mais dissociar o setor da mineração e o de inovação e novas tecnologias. Para os professores Rodrigo e Francisco, uma forma da Universidade motivar os alunos a procurar e criar novas tecnologias que tornem o setor de mineração ainda mais seguro, é aprendendo a utilizar o conhecimento de segurança funcional (functional safety), introduzindo e praticando a identificação de riscos, evitar a exposição a eles por meio de atitudes, postura e comportamento definidos em protocolos de segurança que prezem pela proteção à vida.

As exigências de qualidade e quantidade de extração de minérios, a redução dos custos de operação, e segurança nos projetos de mineração tornou o uso das tecnologias de informação e automação indispensáveis ao setor.

FRANCISCO TOGNOLI – graduado em Geologia, com mestrado e doutorado em Geologia Regional pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), desenvolveu pesquisas na estratigrafia do Permiano da Bacia do Paraná. Entre 2004 e 2008 trabalhou como pesquisador e consultor em projetos do Convênio Petrobras/FAPESE/UFS, em Aracaju, e adquiriu experiências na modelagem de sistemas deposicionais, na correlação rocha-perfil e na interpretação de perfis de poços. Desde 2009 integra o quadro docente do Programa de Pós-Graduação em Geologia da UNISINOS, com atuação na Linha de Pesquisa em Sensoriamento Remoto e Modelagem Geológica e desde 2010 é coordenador do Curso de Graduação em Geologia na mesma Universidade.

RODRIGO MARQUES DE FIGUEIREDO – é Professor/Pesquisador e Coordenador dos Cursos de Graduação de Engenharia Eletrônica e Engenharia de Controle e Automação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) desde 2011. Graduado pela mesma Universidade em 2005 no curso de Engenharia Elétrica e Doutor em Sensoriamento Remoto, participou diretamente da criação de 2 cursos de graduação e 3 reformulações de curso, além de entregar mais de 10 projetos de pesquisa aplicada junto a empresas. Sua tese de doutorado foi voltada para uma tecnologia de classificação de rochas sedimentares.

[1] A Internet das Coisas (do inglês, Internet of Thing, IoT), é uma rede de objetos físicos, veículos, prédios e outros que possuem tecnologia embarcada, sensores e conexão com rede capaz de coletar e transmitir dados.