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“La vida es sueño y los sueños sueños son”

“La vida es sueño y los sueños sueños son”

¿Qué es la vida? Un frenesí.

¿Qué es la vida? Una ilusión,

una sombra, una ficción,

y el mayor bien es pequeño,

que toda la vida es sueño,

y los sueños sueños son.

(Calderón de la Barca, 1996)

La vida es sueño é uma peça de teatro de Pedro Calderón de la Barca. Eu havia lido essa obra uma única vez, lá por 2015. Semana passada, a frase “la vida es sueño y los sueños sueños son” me veio à mente ao acordar, assim do nada, e não consegui tirá-la da cabeça. Aí surgiu a vontade de reler o livro.

A peça começa com um diálogo (lembre-se: teatro é, na maior parte, diálogo) entre dois viajantes perdidos no alto de um morro, Rosaura e Clarín. De onde eles estão, conseguem ver uma construção e ouvir, vinda dela, a lamúria de Segismundo. Conversando com ele, os viajantes descobrem que estão em uma prisão.

Então surgem o chefe desse lugar, Clotaldo, e outros guardas. Clarín e Rosaura são desarmados, e ela explica a razão de estarem naquelas terras: vingança. Aqui, me detenho um momento para falar sobre algo que só percebi nessa segunda leitura – por isso, reafirmo a importância de relermos os livros.

Quando os viajantes são desarmados, Clotaldo percebe que a espada retirada de Rosaura é a mesma que ele deixara com uma mulher, anos antes, para que usasse como sinal ao enviar alguém em busca dele. Isso ecoa o mito de Teseu, filho do rei Egeu com a filha do rei de Trezena. Ao retornar a Atenas, Egeu deixa para trás suas sandálias e espada, instruindo a mãe de seu herdeiro a enviá-lo para procurar o pai, quando chegasse a hora, com os pertences que deixara, de forma que Teseu fosse reconhecido por ele.

Voltando a La vida es sueño, muda a cena e vamos para outra parte do reino, onde estão dois sobrinhos do rei, Astolfo e Estrella, que aspiram a seu posto, pois acreditam que ele não tem herdeiros. Quando o rei chega com alguns seguidores, explica a todos que Segismundo é seu filho e que o mantém preso porque previu que ele traria desgraça ao povo quando reinasse. Mas agora, tendo o príncipe crescido longe e sem saber quem realmente é, o rei pretende dar-lhe uma oportunidade de governar. Como se sairá Segismundo nesse teste? A vingança de Rosaura o influenciará?

Sempre falo sobre a rapidez com que peças de teatro podem ser lidas. Mas La vida es sueño é uma exceção, na minha visão atual, por dois motivos: (1) os diálogos são rimados, o que pode complicar um pouco a leitura em certos pontos devido às inversões feitas para obedecer às rimas; e (2) traz passagens que merecem maior apreciação, como a que destaco na epígrafe.

 

Referência:

CALDERÓN DE LA BARCA, Pedro. La vida es sueño. 23ed. Madrid: Cátedra, 1996. 208p.

 

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