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Traiu ou não traiu?

Traiu ou não traiu?

Dom Casmurro é narrado em primeira pessoa por Bentinho, quem, buscando distrações, resolveu escrever um livro. Após pensar em alguns temas, ele acabou optando por contar sua vida desde a infância, período no qual conheceu Capitu, a “vilã” – na opinião dele – de sua história.

As primeiras memórias que Bentinho apresenta são do dia em que descobriu que sua mãe, D. Glória, desejava colocá-lo no seminário para cumprir uma promessa que havia feito muitos anos antes. Essa descoberta ocorreu ao ouvir uma conversa entre ela e o agregado¹ da família, José Dias, quem a alertava sobre a amizade entre Bentinho e Capitu ser um possível complicador para a realização de sua vontade.

Filha de um casal de vizinhos, D. Fortunata e Pádua, Capitu crescera com Bentinho. Tinha uma personalidade forte que contrastava com a passividade do amigo, que era muito influenciável. Tanto Capitu era mais ativa e esperta que Bentinho que foi a menina quem tomou a iniciativa de planejar algo para que ele não fosse para o seminário. Porque José Dias tinha razão: a amizade deles poderia atrapalhar o plano de D. Glória, pois Bentinho e Capitu estavam apaixonados.

Se Dom Casmurro fosse um livro como qualquer outro, eu pararia o resumo por aqui e encerraria esta coluna. Mas ele não é. O que mais desperta o interesse dos leitores não é esse conflito, mas o casamento de Bentinho e Capitu.

Quando estavam às voltas com encontrar uma maneira de Bentinho não ir para o seminário, ele e Capitu prometeram que apenas se casariam se fosse um com o outro. Essa promessa foi cumprida, e os primeiros anos de casados foram de muita felicidade para o casal. Mas depois… Acredito que todos pelo menos imaginem o que aconteceu, pois a pergunta que os leitores fazem é sempre a mesma: afinal, Capitu traiu ou não traiu Bentinho?

 

¹ Essa é a forma como o narrador se refere a José, um “quase membro” da família. Fora acolhido pelo pai de Bentinho em sua casa muitos anos antes e nunca se separou deles, mas é tratado com certo distanciamento pelo protagonista.

 

Referência:

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. Klick Editora: São Paulo, 1997. 272p. (Biblioteca ZH, 1).

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