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De Caçapava para Milão

De Caçapava para Milão

Filha de pai agricultor e mãe dona de casa, Lucilene Lobato, caçapavana do Seivalzinho, é modelo há apenas sete anos e já ganhou as passarelas internacionais. Com 29 anos, ela já trabalhou em agências de Santa Maria e Porto Alegre. Atualmente, integra o casting da Azure Models Internacional, e mora em Milão, na Itália, de onde conversou com a Gazeta na sexta-feira, dia 01. Confira nossa entrevista especial

Por Cristiana La Rocca Teixeira

Gazeta – Conta um pouco da tua história. Como começaste tua carreira de modelo?

Lucilene Lobato – Depois que terminei o ensino médio, fui morar em Santa Maria, onde fiquei por um ano fazendo curso técnico em secretariado. Um dia, estava indo para o curso, e um scouter (olheiro), pessoa que busca modelo em ruas, festas, baladas e eventos, me abordou, perguntando se eu queria fazer uma seleção para a agência dele, que estava em Santa Maria buscando novas modelos, new faces. Aceitei. Este foi o primeiro contato que tive com a agência. Era 2010 e eu tinha 17 anos. Eu já sabia que meu perfil era bom, porque sou alta, tenho 1,79 de altura, sou magra e chamo a atenção. Durante a seleção, eles queriam que eu pagasse um book fotográfico, bem caro na época para mim: R$ 600,00, e eu não tinha como pagar. Então desisti, pensei: “não posso fazer isso”. Anos depois, em 2014, entrei em contato com eles (já havia pesquisado e vi que era uma agência porto-alegrense séria, a Premier Models Management), fui aprovada no casting para trabalhar em Porto Alegre, e não precisei pagar o book. Entrei fazendo testes para trabalhos na capital gaúcha. Meu primeiro job foi em 2015, um comercial pra Samsung. Fiquei na Premier até 2018.


Gazeta – Com qual oportunidade saíste do Brasil e há quanto tempo?

Lucilene – Depois que saí da Premier, fui morar em São Paulo e fiquei um tempo lá. Voltei para o Sul e quis carreira fora do Brasil. Foi quando entrei em uma agência que trabalhava só com mercado internacional, e fiz minha primeira viagem, no começo da pandemia, para Milão, na Agência Azure Models, para fotografar e desfilar. Não cheguei a fazer trabalhos, por conta do caos da Covid, que atrapalhou muito. Estourou quando cheguei à Itália, entrei em lockdown, ia ao mercado e voltava para casa, e ainda assim era com todo o cuidado do mundo. Fiquei presa um mês com as minhas colegas, duas da Rússia e uma da África.


Gazeta – Como é a experiência de morar fora?

Lucilene – Morar fora é totalmente diferente de estar no Brasil. Língua diferente, pessoas diferentes, comida diferente… Eu adoro o Brasil. Aqui [Itália] as pessoas são mais sérias, não têm aquele calor brasileiro, principalmente no Norte. No sul as pessoas são mais parecidas com os brasileiros, mas, no Norte, elas são mais fechadas. A comida é maravilhosa, adoro. Os italianos são simpáticos, fiz amizades.


Gazeta – Como é dividir a vida com pessoas de outras culturas?

Lucilene – Agora estou aqui no Sul da Itália, na casa de amigos, não estou em casa de agência. Quando eu for trabalhar no Norte, vou morar com outras modelos. Eu gosto, acho interessante, até porque melhorei muito meu inglês depois que morei com pessoas de outros países. Pode ser um pouco difícil no começo, mas, no geral, a experiência é bacana. A africana falava em francês, e as russas falavam sua língua-mãe, mas, em geral, falávamos em inglês.  Quando estava na agência, falava inglês e italiano. Falo inglês fluente e estou aprendendo italiano, me esforçando para aprender, porque parece fácil, mas não é.


Gazeta – Como os italianos então encarando o perigo da guerra na Ucrânia?

Lucilene – Com a guerra, os jornais pararam de falar em pandemia. Os preços começaram a subir e as pessoas ficaram bem assustadas, comprando comida para estocar. Mas o que mais assustou foi o gás. Além do preço alto, o medo era de que a Rússia parasse de enviá-lo para os países europeus, inclusive para a Itália, onde 80% do gás vem da Rússia. Aqui ele é usado para muitas coisas. Não existe chuveiro elétrico, por exemplo. Agora começou a voltar à normalidade. Realmente, no início foi um grande susto, mas depois de 15 dias do início da guerra, começou a normalizar a situação. A Itália está recebendo os refugiados. São cerca de 75 mil. Os ucranianos estão morando em alguns abrigos e sendo recebidos nas casas dos italianos. Tenho amigos que têm casas no litoral da Itália e que estão oferecendo-as para famílias de refugiados ucranianos ficarem um tempo, porque eles não têm onde ficar.


Gazeta – Tens trabalhos agendados daqui pra frente? Como está tua agenda?
Lucilene –
No momento não. Quero recomeçar a trabalhar no final de agosto deste ano, que é a segunda temporada de trabalho na área. Tudo começa em setembro, e quero estar a mil.


Gazeta – Tem planos para voltar a morar no Brasil?

Lucilene – Tenho saudade da família, da minha sobrinha, da minha mãe, dos meus bichos, que eu não trouxe. Quero trazer minha gata em setembro, mas não tenho planos de voltar a morar no Brasil. Quero ficar aqui, trabalhar e recuperar esses dois anos de pandemia que atrapalharam demais a minha carreira.

Gazeta – Quer deixar uma mensagem para os conterrâneos caçapavanos?

Lucilene – Quero dizer que estou com saudades, que sempre lembro da minha cidade, que é pequenininha mas é acolhedora. Por mais que eu visite lugares maravilhosos, tem sempre um lugar especial no meu coração para a minha cidade, que eu adoro. Quero aproveitar para mandar um beijo pra minha mãe, Eva, pra minha sobrinha, Lívia, e para meus irmãos, Emilene, Camila e Adenir.


Gazeta – Nossa cidade natal, levamos no coração, não é?

Lucilene – Isso! [risos] É exatamente isso!

Foto: Sabrina Gabana

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