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Entrevista de outro mundo: um ano do E.T. Caçapavano

Entrevista de outro mundo: um ano do E.T. Caçapavano

Por Tisa de Oliveira

Essa não foi uma matéria fácil de escrever, foi preciso ajuda de um tradutor para estabelecer contato. Mas desistir não estava nos planos, até porque extraterrestres, óvnis e abduções são assuntos que fascinam as pessoas.

Há um ano, o E.T. Caçapavano circula pela cidade, e sua presença não passa despercebida. Diferente de alguns filmes de alienígenas, este extraterrestre é do bem, carismático e espontâneo.

A ideia do personagem surgiu com o intuito de divulgar os pontos turísticos da cidade, compartilhar conhecimento e ideias sustentáveis, sempre com uma pitada de humor. O E.T. também é um dos parceiros do Geoparque Caçapava e participa de diversas atividades promovidas pelo projeto.

“A cidade tem um grande potencial turístico, com um patrimônio histórico e geológico muito rico, que merece ter visibilidade. Hoje, tenho como missão levar o município ao cenário turístico nacional”, orgulha-se o E.T. Caçapavano.

Click da vacina trouxe fama

 O personagem ficou famoso quando fez a primeira dose da vacina contra a Covid-19 e apareceu na RBS. Foi neste momento que começaram a surgir convites para divulgações, aniversários e participações em eventos.

“Minha agenda está bem flexível. Consigo atender aos chamados a qualquer horário. Dos eventos mensais, obtenho boa parte da minha renda. Nunca imaginei que teria uma aceitação tão rápida. Acredito que o anonimato tenha contribuído. Nesse um ano de E.T., tive muitas experiências de vida, fiz amizades que quero manter”, revela o alienígena.

Para a psicóloga Débora Saldanha de Freitas, a receptividade que o personagem teve e a aceitação da comunidade tem a ver com as emoções que afloraram durante a pandemia.

“Sua chegada, em plena pandemia, no momento mais sombrio e triste da humanidade nos últimos tempos, para muitos, trouxe um encantamento, uma certa magia e alegria. Despertou sorrisos, curiosidade. Quem sabe até a esperança de uma outra forma de vida? Ele quebra uma certa dureza do cotidiano, trazendo o lúdico tão necessário para nossa saúde mental. Através de um personagem, podemos criar uma identidade e, a partir daí, brincar com as características deste personagem, assumindo este papel. Podemos também deixar a realidade um pouco de lado”, pontua.

Ações de conscientização fazem parte da agenda

Como é o contato com terráqueos

O E.T. Caçapavano interage com públicos de todas as idades. Esse contato de outro mundo é sempre divertido e animado. Segundo ele, os terráqueos adoram tirar fotos.

“Apesar de raros humanos não gostarem da presença alienígena, sempre sou muito bem recebido, principalmente pelas crianças. Nunca imaginei que gostariam de mim, pois sou um ser esquisito, de outro planeta. Recebo abraços sinceros e esses momentos são muito gratificantes”, comemora.

Segundo a psicóloga, a oportunidade de brincar com um personagem permite certa flexibilidade, possibilita deixar a rigidez de lado e desperta a criança interior. Assim, é possível se abrir a novas possibilidades.

“A relação do E.T. Caçapavano com a nossa cidade, tanto com o público infantil como com os adultos, nos remete à necessidade humana de aproximação e acolhimento. Nunca foi tão necessário compreender e aceitar as diferenças, sermos tolerantes, fazendo uma analogia com a receptividade e a aceitação de um ser tão diferente, vindo de outro mundo”, sugere.

O que representa o personagem

Assim como a tela do notebook ou do celular serve como proteção na hora de se expor, o mesmo acontece com os personagens. Porém, ao contrário das redes sociais, o uso da máscara pelo E.T. Caçapavano acontece de maneira saudável e lúdica.

“A palavra persona tem sua origem no latim, significando máscara. E esta palavra, nos tempos atuais, é bastante significativa. Tanto no sentido literal (uso de máscaras de proteção) como no sentido figurado (psicológico) de pensarmos o quanto, muitas vezes, usamos ‘máscaras’ pelas exigências sociais, culturais, pela necessidade de nos adequarmos aos diferentes papéis que desempenhamos. É através, então, da criação de um personagem divertido, que podemos justamente deixar de lado um pouco estes papéis e sermos mais espontâneos, mais leves”, analisa a psicóloga.

O personagem permite diversas interpretações, mas a profissional considera o aspecto da representação do que significa um extraterrestre.

“É um arquétipo do ‘estrangeiro’, do alienígena, que nos remete à fantasia de sermos criaturas celestes, de outra galáxia, talvez com superpoderes. Quem nunca imaginou? Fantasias que habitam nosso inconsciente coletivo, numa linguagem do psicanalista Jung”, pondera.

Comunicando-se por gestos

Apesar de não se comunicar verbalmente, a expressão corporal que o personagem utiliza afeta o público e causa simpatia.

“A presença do E.T., que não se comunica verbalmente, mas que inspira ternura e afeto pelos seus gestos, lembra-nos que não são necessárias palavras para se chegar até o próximo de uma forma amorosa. Aliás, em tempos de uso de máscaras, um grande aprendizado foi a comunicação pelo olhar. O E.T. Caçapavano nos desperta para a necessidade de aproximação, respeito e aceitação daquilo que é diferente de nós. Parece que estamos precisando deste aprendizado e, quem sabe, através deste personagem, possamos aprender um pouco esta lição”, destaca Débora Freitas.

Produtos de outro mundo

Os próximos compromissos do E.T. Caçapavano são no dia 24 de junho, Dia da Ufologia, quando haverá um evento no Parque da Pedra do Segredo. Já no dia 25, para comemorar o primeiro ano do personagem, será realizada uma festa na Rodeio Music Bar, com a Banda Vug3 e DJ Rodrigo Vazquez.

E as novidades não param por aí, em breve, será lançada uma linha de produtos do E.T., em parceria com a rede de farmácias Nicola. Aguardem, é coisa de outro mundo!

Fotos: arquivo pessoal

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