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Joia rara: patrimônio geológico de Caçapava se transforma em acessório

Joia rara: patrimônio geológico de Caçapava se transforma em acessório

Por Tisa de Oliveira

Caçapava é conhecida como patrimônio geológico e recebeu o título de Capital da Geodiversidade. A beleza e a variedade de ambientes geológicos surpreendem pesquisadores, estudantes, turistas e também artistas, como a professora aposentada Tânia Beatriz Vargas Bonotto, que transforma as rochas caçapavanas em joias sofisticadas. As pedras são brutas; mas este termo pode ser usado apenas para dizer que elas não são lapidadas, porque ele contrapõe com a perfeição do resultado final.

Ela fechou o ateliê que possuía em Caçapava, e hoje circula entre o sítio, na localidade de Santa Bárbara, a cidade e Santa Maria. Aposentou-se em 2016, com 40 anos de magistério: 29 dedicados ao Estado e 11 ao Colégio Coeducar. Lecionou nas escolas Eliana Bassi de Melo, Cônego Ortiz e Escola Técnica Estadual Dr. Rubens da Rosa Guedes (ETEERG).

Taninha, como carinhosamente era chamada por seus alunos, dedica-se à pintura de telas. Ela utiliza tinta acrílica, apropriando-se de variadas técnicas. Seu trabalho está exposto na Casa de Cultura Juarez Teixeira, no museu do Exército e no museu de Santa Maria, mas já expôs na rede Big de hipermercados, no Royal Plaza Shopping e na Assembleia Legislativa. Suas pinturas viajaram também para outros países.

Entre telas e joias

Explorar um novo ramo da arte, a confecção de colares e brincos, veio por meio do incentivo da amiga e também artesã Rosa Ruschel.

“Ela conhece meu trabalho e sabe o quanto gosto de acessórios. Foi então que sugeriu trabalhar com as pedras daqui. A partir daí, fui à procura do material. Fiz cursos, visitei uma mina em Nova Petrópolis, e com frequência realizo passeios pelo interior à procura das pedras”, revela a artista.

As peças são produzidas em xisto, mármore e mármore verde. Tânia usa a pedra bruta, e nela aplica uma camada de resina, para que o arame usado no acabamento não manche a pedra. Os detalhes ficam por conta dos arames dourados ou de cobre, dos cordões de couro ou fio dourado, do ouro e, é lógico, do processo criativo da artista, que tem como referência toda a sua trajetória. A forma como ela trabalha o arame, a escolha dos fios, as cores das pedras e até a maneira como fala das suas joias revelam o seu conhecimento, o cuidado e o amor pela arte.

Um produto da Geodiversidade

O zelo por aquilo que se propôs a fazer levou a artista a buscar informações sobre a matéria-prima utilizada. Em contato com a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), foi o professor Felipe Guadagnin, dos cursos de Geologia e Geofísica, que a orientou.

“A Taninha entrou em contato conosco a fim de reconhecer as pedras que ela usa no seu trabalho. Passamos a dar orientações sobre os diferentes tipos de rochas encontrados em Caçapava e como ela poderia relacionar a produção artesanal com a Geodiversidade e o Geoparque”, destaca o docente.

Geólogo Felipe Guadagnin orienta Tânia Bonotto na classificação das rochas Crédito: arquivo pessoal

Artistas são o instrumento de divulgação

Para Guadagnin, os artistas são essenciais para que a proposta do Geoparque tenha sucesso. Além deles, a população também ocupa um papel de destaque neste sentido. Juntos, são porta-vozes do projeto. Ninguém melhor para divulgar as potencialidades do que aqueles que pertencem ao local.

“A universidade disponibiliza, para quem deseja se vincular ao Geoparque, três selos: iniciativas parceiras, apoiadores e geoprodutos. Especialmente o geoproduto (selo que a Taninha tem) faz com que as pessoas possam utilizar o geopatrimônio: tanto o patrimônio relacionado ao meio físico (o natural), como aquele relacionado ao meio biológico (a biodiversidade). Então, quando os atores locais, os artesãos e a população usam o geopatrimônio, a geodiversidade, a biodiversidade para produzir produtos que possam gerar renda e emprego, eles vão de encontro à proposta dos geoparques mundiais de UNESCO”, explica.

Patrimônio natural gera desenvolvimento

A finalidade dos geoparques é que a população utilize o seu patrimônio natural para o desenvolvimento. O professor destaca, ainda, que o trabalho da caçapavana está relacionado com a extensão, que com o ensino e a pesquisa, formam o tripé da universidade.

“O engajamento dos artistas e do setor produtivo é fundamental para que a gente consiga divulgar a geodiversidade e a geologia. Ele permite que a gente atinja mais pessoas daqui e de fora. A venda dos produtos em outros Estados leva o nome da geodiversidade. As pessoas vão tomando consciência de que em Caçapava existe um patrimônio internacional e ele é utilizado para geração de emprego e renda, Educação, conservação e turismo. Isso atrai visitantes e garante sucesso na nossa estratégia, que é o desenvolvimento. Geoparques mundiais da UNESCO são estratégias de desenvolvimento”, enfatiza.

Avaliadores da UNESCO devem vir a Caçapava no segundo semestre. A Universidade está confiante e na expectativa de que a cidade será reconhecida Geoparque Mundial, título que possui o mesmo status que Patrimônio Mundial e Reserva da Biosfera.

Taninha utiliza pedras (rochas, na linguagem técnica) do território de Caçapava, isso inclui desde o calcário (região de Caieiras), rochas metamórficas no entorno do granito Caçapava do Sul, o próprio granito Caçapava do Sul e até mesmo rochas vulcânicas da região do Santa Bárbara.

As joias da marca Tânia Bonotto estão à venda na loja Q’Bela, com a Márcia, ou pelo WhatsApp (55) 9 9156-8558. As peças custam, em média, R$ 30,00. Em breve, uma nova logo será lançada, e tudo indica que ela terá o selo de Geoproduto.

Foto principal: Tisa de Oliveira

Foto joias: Divulgação

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