De tempos em tempos a mídia aparece com novos termos econômicos. É bom que se diga que logo abaixo das fofocas politicas, hoje os econômicos são os que ocupam lugar de destaque nas colunas de jornais e noticias de radio e televisão. Em tempos de maiores dificuldades e crises estes espaços crescem e as pessoas ficam mais interessadas neste tipo de assunto. Como eles tem algum envolvimento técnico sempre é bom tentar explicar de maneira clara e simples para que todos saibam o que estão lendo ou falando. O Brasil nos últimos anos passou por uma recessão que durou quase que três anos, de 2014 a 2016. Depois veio a estagnação econômica de 2017 a 2019. E aí quando todos esperavam e apostava num crescimento econômico mais saudável, algo em torno de 2%, veio à pandemia, sepultando as esperanças e remetendo os prognósticos para a volta da crise econômica. Hoje já se fala em depressão econômica que é algo bem mais grave.

Recessão, estagnação e depressão econômica.

Deve ser entendido como recessão quando o valor do Produto Interno Bruto de um determinado país diminui, num período superior a três trimestres. Já a estagnação econômica é quando o PIB apresenta um crescimento muito baixo, próximo de zero como ocorreu no Brasil nos últimos três anos. Depressão econômica é uma fase da economia onde o estado de recessão é agravado, ou seja, um longo período de desemprego em massa, queda acentuada na renda, falência de empresas, baixo nível de investimentos, decadência do mercado financeiro, etc. Recessão econômica é a versão amena da depressão. Traduzindo em palavras bem simples, recessão é quando o seu vizinho perde o emprego e depressão é quando você perde o seu. A última depressão econômica mundial ocorreu em 1929 e dizem que foi motivada pelos erros na politica monetária dos Estados Unidos, com quebra generalizada nas bolsas de valores e no sistema financeiro.

Depressão econômica no Brasil?

Os dados atuais assustam e as incertezas sobre o futuro permitem que analistas econômicos se pronunciem sobre as possibilidades do Brasil chegar numa depressão econômica. Na verdade os horizontes estão nebulosos tanto a nível mundial como local, aguçando este tipo de analise. Os últimos dados e analise do Banco Mundial apontam que o Brasil esta entrando numa recessão severa devida os efeitos do covid 19, prevendo que o PIB nacional neste ano venha encolher -8% o pior resultado dos últimos 120 anos. Segundo eles o mundo terá sua economia diminuída em mais de 5% onde mais de 90% dos países entrarão em recessão. Na década de 30 este número chegou a 85%. Mesmo com este cenário profundamente negativo ainda existe projeções que indicam que as economias avançadas poderão reverter a tendência até o final do ano ou no mais tardar no primeiro semestre do próximo.  Nos emergentes os efeitos cessarão um pouco mais tarde. Já para o Brasil, olhando com otimismo, as coisas somente podem melhorar durante o ano de 2021, caso o vírus consiga ser combatido com eficiência até o final do ano. Particularmente acho que a discussão sobre depressão econômica é apenas um exercício acadêmico e que o Brasil enfrentará sim uma recessão profunda, mas incapaz de se prolongar no longo prazo. Fica tudo na dependência de quando a atividade econômica vai retornar e o montante de recursos disponíveis do governo para ajudas e subsídios.

Ajudar, até quando?

Hoje ninguém discute a necessidade do governo federal promover ações de ajuda a setores econômicos, governos estaduais e municipais, além, do combate na área da saúde. Só que isto tem que ser finito. Ate quando? Esta é a grande pergunta. O governo pode conseguir dinheiro através de empréstimos em bancos e pessoas, mas isto vai reduzir o dinheiro em circulação e aumentar a divida. Outra opção seria aumentar impostos, mas aí aumentaria o custo das empresas. Quem sabe imprimindo moeda? Muito dinheiro em circulação traria a inflação. O limite é difícil! Uma coisa é certa, inexistem recursos suficientes para ajudar todos em todo o tempo. Isto vai acabar.Todos vão ter que se adequar aos novos tempos para  sobreviver. É matemática pura!

Pense.

Não importa se você é leão ou gazela. Quando o sol nascer, comece a correr!!! 

Economista Harri Goulart Gervásio