O tema da redação deste ano do ENEM foi “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”, baheeee. Perguntei para a minha filha estudante o significado da palavra estigma, e ela se enrolou toda, saindo pela tangente, como eu também faria se tivesse feito a tal redação integrante da prova de língua portuguesa.

Fui ao Google, que hoje é muito mais fácil acessar do que folear um dicionário monstruoso, daqueles maiores do que um tijolo furado do meu tempo de estudante – e que, aliás, só existia nas bibliotecas das escolas e olhem lá. Constatei, então, que se refere a tudo aquilo que for desonroso, diminutivo, pejorativo, o mesmo que labéu, diatribe, vitupério, conspurcação, opróbrio, e mais inúmeros palavrões desse quilate. Recordei de um tema passado, em tempos anteriores ao tal exame nacional, que confundia “laser com lazer”, e foi o maior rebuliço entre a estudantada que enfrentou aquela  prova.

Eu não sou professor de português e, seguidamente, cometo alguns  erros de grafia, e até de pontuação, os quais a revisão do jornal corrige. Não me avexo, porque avalio que o mais importante são as ideias que a gente transmite, o que permite a comunicação escorreita com a maioria dos leitores. Mas vocês, que gostam de ler, me digam com sinceridade, quantos concursantes desses milhões que se inscreveram para o exame de ingresso aos cursos superiores pelo Brasil afora não devem ter “se embananado” para saber qual era o objetivo da banca? Manda o cara escrever sobre a saúde mental, o perigo das drogas, sobre a pandemia, sobre o tempo, o fim do Domingão do Faustão (graças a Deus)  ou  a falta de dinheiro pela escassez  dos empregos, e avalia, em cima de um tema corriqueiro, se o aluno tem raciocínio lógico e sabe se comunicar razoavelmente…

É a mesma coisa que saber do mecanismo de reprodução dos batráquios, ou em que era foi que os assírios e os caldeus habitaram o Império da Babilônia. Eu tenho estudado isso junto com a minha filha do oitavo ano.

E vivem realizando seminários para discutir a nova base curricular, o sexo dos anjos, e uma porção de cursos de atualização, mestrados e doutorados para melhorar o nível do ensino brasileiro. Ao término do ensino básico, falta praticidade, compromisso com a realidade do cotidiano das pessoas. Não sabem fazer o troco de uma nota de cinquenta reais para pagar uma pizza para o entregador da moto, nem avaliar o tamanho de um metro no tampo de uma mesa. Mas TIK TOK no celular e letras pornográficas desses funk da moda todos curtem.

Tô velho mesmo, e vou morrer sem entender a falta de objetividade e clareza do ensino nestes tempos de modernidades globalizadas.