O Censo que seria realizado neste ano foi adiado “sine die” ,  devido ao flagelo que estamos vivendo. Ficamos sem os dados referentes aos números  da população  brasileira, e suas características gerais e particularidades . Sexo, idade, cor, ocupação, renda familiar, etc.

Nem por isso deixaram de aparecer  Estatísticas de outros dados demográficos. Os graus de comprometimento pelo Covid19 estão sendo diariamente contabilizados e divulgados pela mídia, discordando dos números de mortes que o Ministério da Saúde é acusado de camuflar.

Nestas Estatísticas, são revelados os números dos contaminados por essa terrível peste, bem como as vítimas fatais que não tiveram força nem recursos para enfrentá-la.

Os efeitos colaterais, como a crise econômica, o desemprego, a miséria, as manifestações contra e a favor das medidas do Governo  para a erradicação desse mal também aparecem em números e percentagens, cada dia mais alarmantes.

Nunca ficou tão claro o panorama de nossa miséria. Nas periferias, favelas, povoações ribeirinhas, lugares remotos e esquecidos, as estimativas de desempregados, subempregados, sem teto, sem família, sem rumo vêm crescendo assustadoramente. O Nordeste com suas praias paradisíacas, a Amazônia com as florestas e rios caudalosos, o Sudeste com o conforto das novidades tecnológicas e industriais,  o Centro-Oeste com as riquezas ecológicas do Pantanal, o Sul, com o Pampa e a Serra abertos ao Turismo, nada disso mais é aproveitado durante essa catástrofe.  E o andar de baixo é o que mais tem sofrido.

Pois agora surgiu uma nova classe:  Os Desalentados – aqueles que deixaram de fazer parte das filas nos Hospitais para atendimento médico;  da procura de emprego, das esperas  até de madrugada às portas dos Bancos para receber o auxílio federal… e até de recorrer aos estranhos, de casa em casa, buscando  algum socorro que lhes mitigue a fome e a falta do que fazer.  Porque desanimaram, cansaram de esperar em vão por socorro; não tinham as aptidões necessárias para o ranking de empregos modernos oferecidos, faltou-lhes escola, educação, ânimo… E foram engrossar essa fila que nos deixa angustiados, porque não sabemos como atingi-los, onde se escondem  com vergonha de si mesmos e de suas misérias.

O Covid-19 escancarou-nos esta realidade, que não é nova, nós é que não a percebemos antes.  Faltou nas cidades menores mais iniciativas de renda, pequenas fábricas, que pudessem aproveitar essa classe. Promovendo treinamentos – oficinas de aparelhamento para os novos ofícios que estão surgindo – e lhes restituíssem  a auto-estima, junto ao sentimento de pertencer a um grupo, a uma comunidade, e a estimular-lhes a vontade de cooperar para o desenvolvimento e bem-estar de si mesmos e dos seus semelhantes. É verdade que aqui e ali surgiram cidadãos responsáveis que promoveram alguns novos ofícios e atividades nos campos da música, do esporte e outras..

Quando estudante, sempre achei  bem  difícil  a disciplina Estatística.  Mas se ela é capaz de abrir-nos os olhos para a nossa realidade nacional do momento, que ela seja bem-vinda e empregada com a maior exatidão possível.  Para solucionar nossos problemas mais importantes:  a preservação e cuidados com a vida e a saúde de nossa população.

                               Anna Zoé Cavalheiro