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OAB Cidadã – Onde está o Povo em 2017? – Antonio Borges

A crise política nacional é absurdamente grave, sem precedentes, e, por incrível que pareça, raros são os movimentos de indignação e sem acapacidade de unir a população por um movimento de reforma e limpeza moral.

Há pouco mais de um ano, passamos pelo Impeachment de uma Presidenta da República, por crime de responsabilidade decorrente das famosas “pedaladas fiscais”, que foi cassada, mas manteve íntegros seus direitos políticos. Ruas foram tomadas diante do comportamento fiscal da governante, chegando a lembrar os “Caras Pintadas” contra Collor (1992).

Menos de um ano depois, o novo mandatário da República é apresentado para a população em meio a nova crise, com acusação de prática de crime de corrupção passiva. O Ministério Público e a imprensa nos apresentam um empresário recebido pelo Presidente,na residência oficial, na calada da noite, fora da agenda, em uma conversa sobre corrupção de autoridades e propinas, com uma naturalidade nunca antes imaginada, sucedida por um deputado correndo rumo ao táxi com uma mala de dinheiro. E o que vemos da população? Nada, talvez porque tudo isto seja menos grave que as “pedaladas fiscais” (será?).

Mas,para piorar, há a crise de representatividade, onde intenta-se que a economia seja elevada para a categoria de solução de todosos males. Em pouco mais de um ano, foi despejado ao Povo uma proposta de reforma trabalhista (para fim de inúmeros direitos dos trabalhadores), uma proposta de reforma previdenciária (para fim da expectativa legítima da aposentadoria) e uma reforma educacional para fim do ensino público, gratuito e de qualidade (com limitação e redução de recursos e oportunidades nas instituições públicas e esbanjamento no financiamento de linhas de crédito para instituições privadas, até com juros zero). E a população? Nada, talvez porque trabalho, previdência e educação sejam menos importantes que economia (será?).

Nestas horas, fico perplexo e começo a perguntar se o Povo brasileiro perdeu sua voz e seu espírito (e se um dia os teve). Coloco-me a questionar se, de fato, declaramos independência (ou enganamos Portugal), se proclamamos a República (ou traímos o Monarca), se tivemos várias constituições em menos de um século porque queríamos melhorar enquanto nação (ou porque somos movidos a golpes institucionais).

Penso na conclusão de que o povo brasileiro é corruptor e corrompido, individualista, movido a Facebook (e não por ruas e urnas) e conformado, e por isso está em silêncio (ou atônito) diante de seus governantes. Será?

Antonio Borges
Advogado

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