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Opinião – Ataque à pessoa e não ao argumento – Marcirio Chaves

É cada vez mais necessário abordarmos temas filosóficos na mídia escrita e falada, de modo a tentarmos fazer chegar às pessoas um tipo de conhecimento essencial para as suas vidas. Dando sequência à série de artigos sobre falácias, este artigo aborda a falácia denominada Ad Hominem: quando se ataca a pessoa, e não o argumento.

Esta falácia, amplamente utilizada em nosso cotidiano, é dividida em cinco tipos:
Abusivo: consiste em insultar o adversário com o fim de invalidar o seu argumento.
– “Olhe para ele, você pode imaginar um vereador nesses trajes”.Insulto à vestimenta da pessoa, e não ao conteúdo proferido pelo vereador.

Ad Feminam: desmerece um argumento feito por uma mulher apelando para ataques a características propriamente femininas.


– “Ela está braba contigo porque ela está na TPM”. (Também pode ser considerado um exemplo de falácia ad hominem abusivo).


Circunstancial: coloca em foco a parcialidade do adversário, sugerindo que o último tem algo a ganhar com a defesa daquele ponto de vista. Por exemplo, em um diálogo, a pessoa A diz “Bebida alcoólica não causa nenhum tipo de mal” e a pessoaB responde: “É dono de uma grande empresa de destilados, é claro que dirá isso”.Um outro exemplo: “É natural que o prefeito diga que essa política fiscal é boa porque ele não será atingido por ela”.

Falácia do apelo à hipocrisia:o adversário é acusado de praticar algo muito semelhante ao que ele critica.

– “Não aceito sua acusação de que estamos escrevendo com erros de português, pois você também erra muito”.

– “O médico me recomendou parar de fumar. Mas ele fuma”!

– “Como é que você me pede para ser vegetariano, se você adora usar cintos e sapatos de couro”?


Falácia de associação (culpa por associação): A crítica não é dirigida diretamente ao autor da proposição, mas a uma terceira pessoa, que tem uma imagem negativa, à qual a tese que o autor original está defendendo é associada. Ocorre quando se refuta um argumento baseado apenas na ideia de que esses argumentos são típicos de um grupo de pessoas notoriamente criticáveis. O objetivo é fazer com que a posição declarada pareça imoral, destruindo a credibilidade do argumento.


– “Como você pode votar na Ana para líder do partido? Você sabia que todas as grandes indústrias poluidoras apoiam ela”?


– “Como você pode ser cristão? Hitler era cristão”.


As falácias de ataque à pessoa e não ao argumento podem vir de várias formas na comunicação escrita ou falada. É preciso estarmos atentos a todas elas de modo a evitar conclusões enviesadas sobre determinados assuntos. Somente o conhecimento do uso de falácias nos ajuda a desenvolver argumentos mais sólidos, evitando-as.


Marcirio Silveira Chaves

Professor e Pesquisador, PUCRS
http://mchaves.wikidot.com
mschaves@gmail.com

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