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Opinião – Estradas gaúchas – Rivadavia Severo

Opinião – Estradas gaúchas – Rivadavia Severo

“Baixo potencial de investimentos, problemas na execução das obras e ausência de planejamento a longo prazo são alguns dos empecilhos para a melhoria efetiva da malha rodoviária, o que poderia contribuir diretamente na economia do Rio Grande”.

Assim inicia o estudo sobre a situação das estradas gaúchas publicado no Correio do Povo dominical passado. Conclui anunciando que 2/3 das rodovias no estado estão de regular a péssimas. Ora, neste caso, não há estado regular: ou são boas, ou são más.

Numa breve consideração sobre o assunto, fontes autorizadas informam que, na última década, os investimentos em melhoria de nossas estradas foram de 10% maior do que os anteriores, enquanto a frota automobilística cresceu 110%. Nesse ritmo, jamais se chegará a um denominador comum.

Especialistas afirmam que qualquer tipo de empreendimento que importe em obras físicas, 80% deve ser planejamento e 20% execução. E o que ocorre é exatamente o contrário; daí, as inacabadas ou incompletas. Quando bem planejadas, todo aporte deve estar assegurado antes de iniciarem-se os trabalhos, pois, do contrário, ou faltará material ou financiamento, interrompendo e comprometendo o objetivo buscado.

Há anos que o trecho Guaiba-Pelotas da BR 116 rasteja nos trabalhos de duplicação. Esse segmento rodoviário importante é, também, onde ocorrem mais acidentes automobilísticos fatais. Ante a exasperante demora na conclusão da obra – hoje cerca de 50% apenas – uma Comissão Parlamentar foi a Brasilia solicitar 500 milhões necessários para seu término; obteve a liberação de 50 milhões.

Não é crível que uma Nação que arrecada seis bilhões de reais ao dia, possa só dispor de tão pouco para obra vital. Conta-se de um a mil; logo mil vezes esse mil e chega-se a um milhão; mais mil vezes esse milhão para ter-se um bilhão; e ainda mil vezes esse bilhão para somar um trilhão, nível aonde chega duas vezes a arrecadação de impostos no país. E alegação para a inoperância dos governos é sempre a mesma: “não há recursos”.

Tem-se divulgado que a carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo. Onde está o retorno? As filas intermináveis no SUS continuam; há crianças sem creches e escolas sem infraestrutura, alega um leitor do Jornal, que diz trabalhar 150 dias do ano para o Governo e receber o quê em troca. O estado, confessando sua incompetência, faz concessões das estradas, reservando-se apenas àquilo que sabe fazer bem: a indústria da multa, em grande parte por excesso de velocidade. Os veículos modernos poderiam transitar com rapidez compatível, se as estradas permitissem. No Rio Grande, porém, as vias duplicadas só existem no entorno da Capital.

Os reclamos da população acontecem em todos os setores, não só em prejuízos no patrimônio, quanto da preservação da saúde. A liberdade que os laboratórios multinacionais têm de coagir as pessoas a adquirir medicamentos por preços escorchantes carece de fiscalização eficiente. Por que um remédio custa 500 reais em farmácias de Livramento e, no outro lado da rua, em Rivera, o mesmo produto, só com outro nome, importa em 50 reais? Isto não é suposição: é fato.

Em quanto isso, políticos influentes, passíveis de prisão por corrupção e incontinência administrativa na função pública, são homenageados por segmentos do povo com bandeiras e cartazes de apoio. Ao que parece, como as coisas estão andando, a indignação popular só irá resultar em resignação.

 

Por Rivadavia Severo

Publicado em 16/06/2017, às 06h09

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TV Gazeta

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